sábado, 22 de maio de 2021

A Teoria do Salto Etéreo

A Doutrina Espírita, e diversas outras doutrinas espiritualistas, afirmam que o Espírito, herdeiro da Criação, evolui através dos diversos reinos da natureza em jornada pelos diversos astros componentes do Universo. Desde os planetas mais densos, materializados e primitivos, até mundos que albergam humanidades evoluídas, felizes, avançadas tecnologicamente e emocionalmente, vibrando em dimensões tão sutis, que nossos sentidos e aparelhos seriam totalmente incapazes de perceber.

Todos os Espíritos e todas as humanidades, bem como todos os planetas evoluem. Allan Kardec, através da Doutrina Espírita, propõe a seguinte escala de mundos, a título de estudo:

  • Mundos Primitivos: Espíritos nos passos iniciais da evolução. Corpos completamente materiais. Todos os instintos encontram-se em plena força, sobrepujando sentimentos e razão. Encarnações se dão em corpos de matéria densa.
  • Mundos de Expiação e Provas: Razão e tecnologias já existem, mas o mal e as paixões  predominam. São mundos voltados ao aprendizado mais rude, com dores e expiações difíceis. Encarnações se dão em corpos de matéria densa. A Terra é um desses mundos.
  • Mundos de Regeneração: O Bem já está em começa a se sobrepor ao mal. As dores, quando surgem, são bem mais leves que na Terra. Encarnam em corpos mais sutis que os da Terra.
  • Mundos Ditosos: O Bem sobrepuja completamente o mal. Mundos muito felizes, com humanidades totalmente fraternas. Encarnam em corpos muito sutis.
  • Mundos Celestes/Divinos: Espíritos que completaram seu processo evolutivo. Alcançaram o ápice da pureza e perfeição espirituais.

 
A lista acima descreve a escala ascendente dos mundos, desde os mais densos e primitivos, aos mais sutis e felizes. Nota-se que nos mais atrasados, as encarnações se dão em corpos de matéria densa, como ocorre com os nossos. Já nos mundos de regeneração e superiores, as reencarnações se dão em corpos cada vez mais sutis (talvez já nas dimensões dos planos astral ou mental). Ou seja, à medida que os mundos vão evoluindo, suas humanidades se utilizam de corpos cada vez mais espiritualizados.
 
Segundo algumas informações de Espíritos desencarnados, planetas como Marte, Júpiter e todos os outros na vizinhança da Terra são habitados por humanidades num grau evolutivo superior ao da Terra, portanto inacessíveis à nossa visão ou detecção por nossos aparelhos, já que estão em dimensões ou planos vibracionais mais altos. A Terra, como mundo de expiação e provas, estaria no limiar da passagem para o início da categoria de mundo de regeneração, quando então ocorrerá a separação do “joio e trigo” na linguagem das Escrituras, ou seja, a migração em massa de Espíritos atrasados para mundos primitivos, dando mais espaço na Terra para o surgimento do Bem.
 
Desta tese, surge entretanto uma questão de difícil resposta: Vimos que a evolução moral dos Espíritos em um planeta implica na evolução corporal. Quanto mais elevada moralmente a humanidade, mais espiritualizados são as mentes e também os corpos. Como então (e quando) ocorreria a migração, o salto, dos corpos densos comuns em mundos inferiores para a encarnação em corpos mais sutis? A transformação do corpo do plano físico para um corpo do plano etérico parece inverossímil. Não existe processo conhecido para explicar tal fenômeno. E mesmo que fosse possível, tal mudança poderia exigir dezenas de milênios para ocorrer. Ora, se a simples evolução do antigo estado hominídeo para o homo sapiens exigiu tantos milênios, que dizer da mudança vibracional do corpo físico e de toda a matéria do planeta! Demandaria muito mais tempo. E isso não parece compatível com a nossa proximidade para estágio de regeneração indicado por revelações espirituais.
 
A teoria que proponho nesse trabalho, é a de que o processo não se dará de forma miraculosa ou sobrenatural. Mas de forma extremamente natural e lógica. Ora, na verdade todos nós que já encarnamos no corpo denso estamos utilizando também um outro corpo, intermediário e imperceptível para nós: o Corpo Etérico! Esse corpo, de composição que podemos dizer, semi-material, detém praticamente todas as características do nosso corpo físico, sendo quase uma cópia célula a célula. A diferença é que um encontra-se no plano físico e o outro, no etérico. O que se propõe nesse ensaio teórico é que a humanidade gradualmente deixará de encarnar no corpo físico, passando a encarnar usando apenas o corpo etérico. Isso caracterizará uma humanidade em estágio de regeneração pleno.Acredito inclusive que esse processo já tenha sido iniciado. Muitos espíritos podem estar encarnando a décadas em corpo etérico, sendo os precursores na construção das bases para a nova sociedade que existirá apenas nesse plano. Muito esforço e trabalho podem estar sendo carreados nesse exato momento para formar os pródromos de um novo mundo.
 
Revelações espirituais recentes (como nos livros “Transição Planetária” e “O Alvorecer de Uma Nova Era”, de Divaldo Pereira Franco) revelam que espíritos de mundos mais elevados estão vindo reencarnar na Terra para acelerar o processo de transição. Parte desses espíritos podem estar reencarnando em plano físico. Outra parte em, plano etérico. Dessa forma, esse apoio em dois planos torna-se mais efetivo.
 
Acreditamos, que pouco a pouco, tanto os humanos como toda a vida na Terra deixarão de encarnar no plano físico. Esse se deteriorará, fenecerá, tornando-se um enorme deserto como hoje é Marte. Mas florescerá mais grandioso e luminoso em sua dimensão etérea, seguindo o que determina a lei de evolução.




domingo, 14 de junho de 2020

Kardec e a Política no Centro Espírita

No início do ano de 1862, com a Doutrina Espírita em franco crescimento na Europa, Allan Kardec, que recebera diversas cartas com mensagens pela passagem de ano, sente-se compelido a responder seus interlocutores. Mas como as mensagens contavam-se às centenas, vê que é impossível respondê-las individualmente. Sendo assim, resolve publicar uma longa carta resposta na Revista Espírita de 1862. A carta divide-se em agradecimentos, conselhos e recomendações.

Dentre as diversas recomendações, uma delas ganhou particular atenção, dada a sua importância, permanecendo ela atualíssima em nossos dias. Referindo-se às discussões políticas dentro dos centros e agremiações espíritas, Kardec diz:

"Devo ainda assinalar-vos outra tática dos nossos adversários, a de procurar comprometer os espíritas, induzindo-os a se afastarem do verdadeiro objetivo da doutrina, que é o da moral, para abordarem questões que não são de sua alçada e que, a justo título, poderiam despertar suscetibilidades e desconfianças. Não vos deixeis cair nessa armadilha; afastai cuidadosamente de vossas reuniões tudo quando se refere à política e a questões irritantes; a tal respeito, as discussões apenas suscitarão embaraços, enquanto ninguém terá nada a objetar à moral, quanto esta for boa. Procurai no Espiritismo aquilo que vos pode melhorar: eis o essencial. Quando os homens forem melhores, as reformas sociais realmente úteis serão uma consequência natural; trabalhando pelo progresso moral, lançareis os verdadeiros e mais sólidos fundamentos de todas as melhoras, e deixareis a Deus o cuidado de fazer com que cheguem no devido tempo. No próprio interesse do Espiritismo, que é ainda jovem, mas que amadurece depressa, oponde uma firmeza inquebrantável aos que quiserem vos arrastar por uma via perigosa".


Vemos a preocupação de Kardec com a questão da inserção de assuntos político-partidários-ideológicos dentro do seio da Doutrina Espírita. Sabia ele que isso afastaria os espíritas do verdadeiro objetivo da doutrina - a melhoria moral do homem. Sabia ele que isso causaria a disseção e divisão dentro dos grupos. Pior que isso, levaria às brigas e discussões intermináveis e estéreis, que nada tem a ver com o Espiritismo, levando seus adeptos a se separarem ao invés de se unirem. E não temos visto isso ocorrer nos tempos atuais? Grupos romperem trabalhos luminosos devido às contendas de caráter político? Ficarem à mercê das trevas e da obsessão?

Temos de nos lembrar que seremos responsáveis por tudo de mal que fizermos, e por todo o bem que deixarmos de fazer. Dentro da casa espírita temos o dever de calar certos ímpetos que não são convenientes ao ambiente. Com relação a isso, o próprio Espírito de Verdade, em mensagem no capítulo XX do Evangelho Segundo o Espiritismo, nos ensina:


Felizes serão os que houverem dito a seus irmãos: "Trabalhemos juntos, e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, na sua vinda, encontre a obra acabada", porque a esses o Senhor dirá: "Vinde a mim, vós que sois os bons servidores, vós que soubestes calar os vossos melindres e as vossas discórdias, para que a obra não saísse prejudicada!"


A mensagem é clara e inequívoca: calemos as nossas discórdias para não prejudicar a obra do Espiritismo. Se não contivermos nosso orgulho, nosso ego e nossa vaidade tão vãs, traremos empecilhos graves ao bom andamento do trabalho do Consolador. O trabalho do Espiritismo encontra-se na modificação do coração do homem. Se o coração do homem for mudado para melhor, a evolução das questões sociais se fará naturalmente.

É claro que a recomendação de Kardec não implica em dizer que nós, espíritas, não possamos ter o nosso posicionamento político. Podemos sim, e até temos isso como dever de cidadãos. O que não podemos estar fazendo é impor nossos pensamentos dentro de nossos grupos e agremiações, pois todos sabemos até onde isso pode levar. A casa espírita é local de trabalho, harmonia, respeito mútuo para o desenvolvimento do Amor, conforme o Cristo nos recomendou.

Unamos nossas mãos portanto, independente de nosso posicionamento político. Em Espiritismo, nosso pensamento deverá ser um só: "Amai-vos e instrui-vos". Dessa forma, estaremos colaborando para a manutenção de um ambiente de verdadeira união, fraternidade e espiritualidade.

Sigamos com o Cristo.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

O Aborto na Visão Espírita


Muito se tem falado da questão do direito ao aborto nos dias atuais. Movimentos ideológicos, políticos, partidos e ONGs alegam o "direito  ao corpo" que as mulheres teriam. Argumento similar é utilizado também pelos que pregam o direito à eutanásia e ao suicídio. Mas qual a opinião do Espiritismo com relação ao aborto? Para responder a esse pergunta, analisemos diretamente as bases da Doutrina. O Livro dos Espíritos, em sua questão 358 diz:


358. Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?

“Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, porque impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.”

Ou seja, o Espiritismo coloca-se diametralmente contra a prática do aborto. Em consonância com Kardec, diversos autores espirituais (Emmanuel, André Luiz, Luis Sérgio etc), bem como médiuns, estudiosos e oradores renomados, também são contrários. O aborto para o Espiritismo é um crime contra uma vida inocente e indefesa.

Mas e a questão do "direito ao corpo"? A mulher não teria o direito sobre ele?

A resposta é que temos um direito parcial sobre nosso corpo.  Ele é um "empréstimo" tomado da economia universal para que possamos desenvolver uma nova reencarnação. Essa massa de matéria viva nos é dada no momento de nossa concepção para que dela nos sirvamos segundo nosso livre arbítrio, e nos é tomada no momento da morte, quando seguimos como Espíritos desencarnados. Essa 'tomada' já nos indica que não somos senhores supremos do nosso corpo, pois Deus pode nos separar dele, a qualquer momento, quando julgar necessário. Somos donos apenas de nossas aquisições intelectuais e emocionais, já que nada nos pode separar delas. Nem mesmo a morte, já que inteligência, emoção e sentimentos são atributos intrínsecos do Espírito.

Além disso, devemos notar que, mesmo que tivéssemos total posse sobre nossos corpos materiais, no caso de uma gestação, o feto tem seu próprio corpo. É novo binário espírito-corpo, que já iniciou a sua encarnação. Dessa forma, não podemos simplesmente decidir por ele.


"Qual o primeiro dos direitos naturais do homem?
O de viver.
O Livro dos Espíritos, questão 880.


Mas existe algum caso onde seja aceitável o aborto, dentro da Doutrina Espírita? O próprio Kardec já questionava isso:

359. No caso em que o nascimento da criança puser em perigo a vida da mãe, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?

“Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.”

Ou seja, no caso específico e comprovado de risco de morte para a mãe, deve-se dar a preferência ao espírito que já está encarnado. O reencarnante perde temporariamente a oportunidade do renascimento, mas poderá tê-la futuramente, muito possivelmente com a mesma mãe.

Entretanto, apesar de tantas admoestações claras contra o aborto, muitos espíritas, caem no erro de propalar as ideologias ditas 'modernas' de "direito ao corpo", em completo desacordo com a Doutrina Espírita. Criam narrativas e interpretações que desfiguram o pensamento espírita. Chegam ao extremo de dizer que Kardec não tem legitimidade para falar, e tentam desmerecer e ridicularizar pensadores espíritas e médiuns de todos os tempos, no afã de desmoralizar a doutrina, forçando-a a aceitar o inaceitável e transformando-a segundo os seus interesses.

Dizem que o Espírita não deve posicionar-se politicamente contra o aborto, pois o Estado é laico, e não podemos (segundo eles) decidir pelos outros. Mesmo sendo isso é princípio básico da Democracia. Se seguirmos por essa lógica, também não poderemos, tendo por base uma religião, nos opor ao armamento generalizado, à pena de morte, às desigualdades sociais. Ora, se como espírita, posso posicionar-me politicamente contra as armas, contra a pena de morte e contra as desigualdades, por que motivos não posso ser contrário o aborto?

O aborto é crime contra as Leis Divinas. O Espiritismo, em suas obras básicas e complementares, posiciona-se claramente contra ele e em prol da Vida. Tomemos também a nossa posição, lembrando o que O Cristo disse: "Quem não está comigo, está contra mim" (Mt. 12,30).

Espíritas! Não nos escondamos mais! Defendamos a nossa filosofia! Propaguemos a verdade nela contida, resistindo à onda nefasta que busca derrubá-la. Trabalhemos juntos continuamente para que o Espiritismo continue sendo Luz, Consolação e Esperança para as gerações atuais e as vindouras!

Sigamos adiante.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Gatos na Reunião Mediúnica


Reunião de Estudos Mediúnicos em 28 de setembro de 2018

Nosso grupo, contando na noite com cinco médiuns, quatro doutrinadores e dois assistentes, estudava o livro dos médiuns, em momento anterior às comunicações mediúnicas. Subitamente entraram na sala dois gatos de rua, bastante mansos, mas provavelmente com muita fome, já que estavam miando constantemente. Coloquei ambos para fora da sala para não distraíssem os participantes do estudo, mas não sem protestos de duas das médiuns presentes. A bagunça inicial cessou, mas infelizmente, os animais permaneceram miando do lado de fora.

Apesar dos ruídos insistentes, a reunião ocorreu sem problemas, com várias comunicações, como de costume. Findo o momento da prática, iniciamos as avaliações das comunicações. Fato interessante: Uma das médiuns (que protestou contra a expulsão dos gatos) disse que ocorreu um fenômeno peculiar. Ela disse que um dos espíritos que se comunicaram, que havia sido em vida uma senhora acumuladora. Esse espírito, segundo a médium, estaria muito preocupada com os gatos que criava quando estava encarnada, pois não sabia quem cuidaria deles [1]. Com relação a essa sensação que o espírito teria externado, a médium disse que sentia-se inicialmente em dúvida. Disse que pensou tratar-se de animismo, mas no decorrer da comunicação passou a ter maior segurança na sua veracidade. Nesse momento, nada menos que dois outros médiuns disseram sentir a mesma coisa sobre aquela comunicação: que o espírito se preocupava muito com supostos gatos que teria deixado no mundo material.

Devo dizer que fiquei extremamente desconfiado dessa comunicação, mas o testemunho de dois outros médiuns me deixou meio desarmado. Pensava eu: “Será que um dos médiuns chegou a influenciar os outros com algo de sua criação?” A palavra “animismo” martelava em minha mente, mas nada falei, pois havia várias outras comunicações a avaliar, e pouco tempo.

Uma semana depois, estudando o tema proposto para a noite seguinte, quando seria a próxima comunicação, me deparei com um trecho do livro O Transe Mediúnico, de Odilon Fernandes e Carlos A. Baccelli:

     “Os médiuns são sensíveis ao pensamento dos desencarnados e dos encarnados.
     Toda faculdade mediúnica, pois, é de natureza anímica.
     Contudo mais sensíveis que ao pensamento dos encarnados, os médiuns o são de suas emoções.
     Consciente ou inconscientemente, o encarnado pode interferir na recepção de uma mensagem mediúnica. E, mais que interferir, pode influenciar no seu conteúdo.
O médium é uma espécie de aparelho de ausculta do meio em que se encontra. Daí os comunicados que recebe, sempre refletem temas da realidade que vivencia”. [2]


Ou seja, os médiuns podem ser facilmente influenciados pelo meio em que se encontram, por situações da vida cotidiana e por pensamentos de encarnados ao seu redor. Segue Baccelli:


     “Com o médium, acoplado, por assim dizer, ao seu psiquismo, o espírito comunicante, até certo ponto, igualmente se permite sugestionar pela situação existencial da qual, de maneira indireta, está participando.
    É praticamente impossível que o médium se isole, de maneira absoluta, do contexto psicológico e emocional em que vive. Ele recebe n influências que terminam por refletir-se no comunicado de que se faz intérprete.
     O espírito, nada mais sendo que homem fora do corpo, também não consegue se furtar às interferências do meio em que respira.” [3]


O próprio espírito desencarnado pode ser levado a sugestionar-se devido à interferência do meio. Vemos o quanto pode ser complexa a identificação da ideia original do espíritos, sem escolhos. No texto, os autores lembram que Chico Xavier, para escrever os livros, isolava-se em sua casa, protegido pela espiritualidade de influências externas. Por outro lado, quando trabalhava com as cartas consoladoras, preferia estar próximo das pessoas, para conseguir sentir melhor seus dramas, e assim captar com mais familiaridade as comunicações de desencarnados queridos.

Munidos dessa informação, vemos que o caso dos gatos, acima narrado, pode encaixar-se facilmente em uma situação anímica. Mesmo aceitando que houve um atendimento a um espírito necessitado, a sensação descrita pela médium, de que este preocupava-se com gatos que teria deixado quando viva, pode ter sido apenas um cenário criado pela influência de um ou mais membros do grupo mediúnico [2]. Influenciação essa que pode ter ‘contaminado’ os três médiuns que entraram em consonância. Essa, em minha opinião, é a hipótese mais provável.


[1] Nota: Não houve qualquer correlação entre os gatos que apareceram na sala e os supostos gatos objetos da preocupação do espírito.
[2] Grifos nossos
[3] Idem
[4] Deve-se perceber que a comunicação do espírito foi considerada real. Apenas o cenário dos gatos é que consideramos criado animicamente pelo grupo.

sábado, 18 de agosto de 2018

Suicídio vs Homicídio


Por que o suicídio é considerado crime mais grave que o homicídio?


Le Suicidé, pintura de Edouard Manet.


É entendimento inabalável na Doutrina dos Espíritos, que tanto o suicídio quanto o homicídio são crimes graves perante as Leis Divinas. Pode-se verificar isso facilmente no estudo de O Livro dos Espíritos nas questões 943 a 957, que tratam do suicídio, e nas questões 747 a 751, sobre o homicídio. Além disso, é senso comum entre nós Espíritas, que o suicídio é crime bem mais grave que o homicídio. Os Espíritos tem repetido essa afirmação continuamente. Livros foram escritos relatando a situação complicada daqueles que se suicidam. Veja-se por exemplo a obra espírita mais famosa que trata do assunto, “Memórias de um Suicida”, da médium Yvonne do Amaral Pereira. O livro conta a triste história do escritor Camilo Cândido Botelho, supostamente pseudônimo do famoso escritor português Camilo Castelo Branco, que cometeu suicídio em 1890. Liberto do corpo, alcança o mundo espiritual em estado de extremo desequilíbrio, passando anos em pesados sofrimentos no Vale dos Suicidas, sendo finalmente resgatado por voluntários de uma comunidade espiritual chamada Hospital Maria de Nazaré.

Fica patente na maioria dos relatos de espíritos suicidas o supremo sofrimento ao qual se condenam, sendo sempre mais doloroso que os crimes de assassinato. Para muitos fica o questionamento: por que? Como um crime cometido contra si próprio e levado a conta por sua própria vontade pode ser mais condenável que aquele que tira a vida a um terceiro, que muitas vezes implora pela vida?

Essa pergunta costumava consternar minha mente com certa frequência. O fato simplesmente não parecia ter lógica e cheguei por vezes a duvidar das afirmações de certos espíritos. Me perguntava como a Lei “punia” os suicidas de forma mais severa que os homicidas. Por muito tempo me questionei e meditei sobre o problema. Somente após anos de espiritismo cheguei a uma conclusão adequada e racional. Nesse artigo tento explicá-la. Espero que possa auxiliar outros espíritas, que tenham as mesmas dúvidas, da mesma forma que me auxiliou.

Capa do livro "Memórias de um Suicida".



O Homicídio

O homicídio é um dos crimes tipificados como mais perversos tanto nas leis humanas como nas leis divinas. Vai contra um dos direitos mais básicos do ser humano: o de viver. Além disso, do ponto de vista materialista, um assassinato priva a vítima subitamente de todos os outros direitos a que ela tem e que terá, a todas as suas conquistas, alegrias felicidades atuais ou futuras. Já do ponto de vista espiritualista, a vítima tem sua atual jornada evolutiva (sua encarnação presente) estancada temporariamente. Ou seja, ela terá ainda novas oportunidades em encarnações subsequentes.

Há de se observar que as maldades que o homem comete podem ser usadas por Deus como ferramenta para a evolução do próprio homem. Assim, alguém que seja bruto em uma vida poderá [1] sofrer brutalidade de outrem nessa mesma vida ou em vidas seguintes. O objetivo dessa reação da Lei Divina (a Lei do Retorno) é fazer esse espírito perceber o quão mal suas vítimas se sentem devido a ações dele. Assim, da mesma forma que uma criança educada pelos pais, ele sentirá “na pele” a dor que causou aos outros.

Assim, a ação malévola de um assassino pode ser usada por Deus como uma forma de “catalisador evolutivo” de um espírito que tenha praticado assassinatos em vidas passadas, ou mesmo nessa. Em  casos mais extremos, pode um Espírito até solicitar ao reencarnar que sua vida seja tolhida através de um ato violento. Isso como forma de expiação de débitos passados, ou como missão [2]. É solicitação dele, que pode ser aceita ou não pelos Espíritos responsáveis por sua encarnação. Nesse caso entretanto, é importante fazer notar que isso não implicará automaticamente que Deus determinará algum assassino para ele. Isso será deixado a par do livre arbítrio dos homens. Caso não haja, no decurso da reencarnação desse espírito, uma pessoa que intente de própria vontade contra sua vida, ele morrerá de outras causas. Deus nunca determinará que alguém faça o mal. Ninguém poderá alegar matar por determinação divina. Jamais.

Por outro lado, podemos dizer que aqueles espíritos que não tem em seu planejamento reencarnatório a possibilidade de ser assassinados, terão uma grande proteção do Plano Espiritual contra esse tipo de incidente. Entretanto, é necessário que não criem situações que coloquem suas vidas em risco. Já diz o ensinamento do Cristo: “não tentarás o senhor teu Deus”. O homem que se expõe a situações violentas, poderá ser vítima delas mesmo que isso não esteja planejado.

Assim, através dessa sequência de raciocínio, pudemos ver que a Providência Divina pode usar (e definitivamente usa) atos maus, revertendo-os para o bem das criaturas, ao mesmo tempo em que respeita o direito ao livre arbítrio dos homens.



O Suicídio

O suicídio, ao contrário do homicídio, parece causar uma quantidade de mal menor, já que há na maioria dos casos, apenas uma pessoa envolvida. Além disso, o suicida comete o ato por sua própria vontade. Analisemos, entretanto, com mais detalhes.

O primeiro ponto a observar é que, da mesma forma que Deus não determina que existam assassinos, Ele também não determina que existam suicidas. Assim, ninguém poderá alegar que se matou por que Deus ordenou ou porque tinha débitos do passado. A Providência Divina deseja acima de tudo a salvação de Seus filhos, e não a sua aniquilação.

Vimos anteriormente que Deus pode permitir que um assassinato ocorra caso exista benefícios para a vítima (ver sessão anterior). Dessa forma, uma ação má é revertida em bem. O mesmo não pode ser dito do suicídio. Lembremos, ninguém nasce determinado a se suicidar para quitar débitos. E muito menos por missão. Ou seja, não há o que reverter. Não há bem que se possa tirar disso.

Alguém poderia perguntar: “Se ele não está pré-determinado a se matar, por que os Espíritos simplesmente não o protegem?” É uma questão válida. Os Espíritos Prepostos tem dificuldade em proteger o suicida de seus atos, já que tem o dever de respeitar seu livre arbítrio. Sabemos de diversos casos de tentativas que falharam. Isso nos indica que a Espiritualidade trabalha por aquele que está prestes a cometer o ato infeliz. Mas, se as tentativas se repetem, chegará dia em que ele não poderá mais dispor da proteção do Alto.

Outro problema gravíssimo causado pelo suicídio é a destruição do planejamento reencarnatório de  grupos de espíritos. Como isso ocorre? Bem, tomemos um exemplo simples. Digamos que cinco espíritos planejam reencarnar para constituir uma família. Vamos supor que um casal encarne primeiro, e os três restantes reencarnarão dentro de vinte anos, como seus filhos. Entretanto, antes mesmo que o casal se conheça (o correto aqui seria dizer “se reencontre”) encarnados, um deles tenha cometido o suicídio. O que ocorre com o grupo? Certamente seriam bastante prejudicados, já que precisavam reencarnar juntos. Certamente precisarão rever todo o planejamento e, talvez, atrasar o processo por décadas. Esse tipo de problema ocorre com frequência no nosso planeta. Nesse contexto, podemos dizer que o grande problema do suicídio é que ele não é um ato planejado, não é esperado e é difícil de ser previsto pelos Espíritos. Termina causando efeitos muito indesejáveis para a coletividade, problemas esses difíceis de serem contornados, quiçá plenamente resolvidos.

Conclusão

Podemos perceber, pesando ambos os atos (homicídio vs. suicídio) os motivos que levam a fazer com que o segundo termine sendo causador de muito mais dificuldades para os envolvidos. O primeiro poderá sempre ser usado como ato reparador de erros do passado, como um catalisador evolutivo da vítima, ajudando-a a solver seu carma. O homicídio poderá ser para a vítima o remédio amargo a curá-la de enfermidade espiritual de longa data. Já o segundo, o suicídio, será sempre e puramente um gerador de carma, o início da doença, que levará o infrator a anos de labuta para a própria regeneração.

Entretanto, uma observação deve ser feita. Apesar de ambos os atos serem considerados crimes contra a Lei, a Bondade Divina nunca relega Seus filhos ao sofrimento eterno. Deus sempre fornecerá novas oportunidades de reparação. Ele estará sempre ao nosso lado, mesmo que nós “desistamos dEle”. O poema “Pegadas na Areia” (“Footprints in the Sand”, de Margaret Fishback Powers), constrói uma metáfora belíssima, que conta da determinação de Deus em nos acompanhar, mesmo nas situações mais difíceis. Lembremos então: nunca estaremos sós! Os erros que cometemos, um dia ficarão num passado distante, quando nos reabilitarmos definitivamente. Sejamos homicidas, suicidas ou qualquer outro transgressor, tenhamos a certeza que, mesmo enfrentando a dor e a dificuldade, voltaremos aos braços do Pai Criador, pois essa é a Sua Vontade Soberana.

[1] Usei o verbo “poder”, com o sentido de “possibilidade”, pois o simples fato de fazer o mal numa vida não condena definitivamente uma pessoa a sofrer desse mesmo mal em outra. Sabemos que o Amor “cobre a multidão dos pecados”, como ensinou Jesus. Dessa forma, podemos “quitar” nossos débitos através de contínuos atos de amor, fraternidade, compreensão, perdão etc.

[2] Como missão: ver o caso de Jesus por exemplo. Ele nada devia à Lei, mas era necessário, segundo as escrituras, que ele desencarnasse daquela forma.

domingo, 20 de maio de 2018

Prece "Ave Maria" em versão alternativa




Ave Maria, cheia de Graças, O Senhor é contigo
Bendita és na Terra e nos Céus
Bendito é eternamente o teu Filho Jesus

Santa Maria, Mãe do Cristo
Roga por nós, os degredados
Cobrindo-nos sempre com tua Luz e guiando-nos a Deus.