domingo, 15 de maio de 2011

Sobre o Capítulo "Preces Espíritas"

É comum entre os Espíritas dar-se maior importância a certos livros da vasta literatura que temos ao nosso dispor. Um exemplo disso encontra-se entre os cinco livros da Codificação. Muitos dão enorme importância ao Livro dos Espíritos e ao Evangelho Segundo o Espiritismo, e pouca relevância ao Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno e A Gênese. Mesmo contendo esses três últimos ensinamentos importantíssimos para a formação de uma base espírita consistente.


Mas mesmo entre os dois livros mais lidos citados acima, muitos ignoram certos capítulos e trechos extremamente esclarecedores. Por exemplo, a Introdução de O Livro dos Espíritos nos traz uma apresentação inicial importante do que é o Espiritismo, de que trata a Doutrina e do pensamento de Kardec. Coisa enormemente útilo àquele que deseja realmente instruir-se.


Já no Evangelho Segundo o Espiritismo, muitos deixam de lado um interessante capítulo: o último, de número 28 – Coletânia de Preces Espíritas. Lá Kardec exemplifica diversas formas de prece. De como se dirigir a Deus e aos Bons Espíritos. Há de se notar entretanto que são apenas exemplos e não fórmulas prontas. É uma base na qual podemos construir nossas próprias orações diárias. E isso está muito bem explicado no preâmbulo do capítulo, o qual recomendamos a leitura atenta.


Uma pequena prova da relevância desse capítulo é dada no relato que se segue.


Costumo fazer com a família o Estudo do Evangelho no Lar semanalmente. Para os que não conhecem, trata-se de uma pequena reunião familiar, de cerca de meia hora de duração, onde estudamos o Evangelho Segundo o Espiritismo, discutindo suas nuances e trocando idéias, com o objetivo de fortalecer os laços da família com Deus e com o Plano (mundo) Espiritual ou Plano Superior. Muitos costumam abrir o livro aleatoriamente e é fato conhecido que certas mensagens adequam-se perfeitamente às necessidades dos ouvintes no momento.


Certa feita, estando eu passando por uma situação particularmente difícil na minha vida, no dia do Estudo do Evangelho, reuni a família na hora aprazada e fizemos uma oração inicial e uma leitura preparatória, como é de praxe. Pedi então que meu filho abrisse o Evangelho em uma página qualquer. Ele então me entregou o livro aberto exatamente num trecho do capítulo das preces, entitulado “Ato de Submissão e Resignação”, que transcrevo aqui:


30. PREFÁCIO. Quando um motivo de aflição nos advém, se lhe procurarmos a causa, amiúde reconheceremos estar numa imprudência ou imprevidência nossa, ou, quando não, em um ato anterior. Em qualquer desses casos, só de nós mesmos nos devemos queixar. Se a causa de um infortúnio independe completamente de qualquer ação nossa, é ou uma prova para a existência atual, ou expiação de falta de uma existência anterior, caso, este último, em que, pela natureza da expiação, poderemos conhecer a natureza da falta, visto que somos sempre punidos por aquilo em que pecamos. (Cap. V, nos 4, 6 e seguintes.)


No que nos aflige, só vemos, em geral, o presente e não as ulteriores conseqüências favoráveis que possa ter a nossa aflição. Muitas vezes, o bem é a conseqüência de um mal passageiro, como a cura de uma enfermidade é o resultado dos meios dolorosos que se empregaram para combatê-la. Em todos os casos devemos submeter-nos à vontade de Deus, suportar com coragem as tribulações da vida, se queremos que elas nos sejam levadas em conta e que se nos possam aplicar estas palavras do Cristo: “Bem-aventurados os que sofrem.” (Cap. V, no 18.)


Há de se notar a perfeita sintonia entre aquilo que eu necessitava escutar naquele momento e o que surgiu na abertura "aleatória" do livro. Sabemos que o Munto Espiritual constantemente intervém no nosso, principalmente através dos canais da intuição. Nessas reuniões, é comum os Espíritos guiarem o ato mecânico de abrir um livro para que caia num texto específico, útil para os que estão ouvindo.


Com relação a isso, há um caso interessantíssimo que vivenciei no CEIC - Centro Espírita Irmãos do Caminho. Mas que ficará para um próximo post, que pretendo escrever em breve. Até mais.

Um comentário:

  1. A doutrina espírita nos conforta e ao mesmo tempo esclarece acerca das causas e de como lidarmos com as nossas dores.

    ResponderExcluir