segunda-feira, 10 de março de 2014

A Alimentação Carnívora, a Pecuária e Nossas Reservas de Água

Nesses tempos de aumento populacional em níveis exponenciais, uma das crescentes preocupações dos governantes e estudiosos é a escassez de água potável em um futuro próximo, algo que pode levar a um sombrio cenário de guerras por esse recurso natural que atualmente é tão pouco valorizado por todos nós. Muito se tem discutido com relação às medidas que podemos tomar para prevenir a falta de água, sendo que a grande maioria delas baseia-se na economia em seu uso.

Por esse motivo, alguns pesquisadores passaram a estudar meios de realizar essa economia. Um artigo recente do New York Times[1], que trata da redução das reservas de água potável nos EUA, cita um estudo de 2012 [2], feito pela Universidade da Holanda, no periódico Ecosystems, pelos pesquisadores Mesfin M. Mekonnen and Arjen Y. Hoekstra, compara o uso da água nos diversos tipos de produção de alimentos. Esse estudo revela que para a produção de uma cabeça de brócolis, são necessários cerca de 20 litros de água e um simples tomate requer 12,5 litros. Se uma simples unidade de verdura ou legume demanda tamanha quantidade de água em sua produção, o que dizer das enormes plantações das regiões rurais? O estudo mostra que uma tonelada de vegetais consome 321.760 litros de água. Raízes como batatas e macaxeira, consomem 386.869 litros.

As exigências de água são realmente gritantes, bem como a necessidade de economia desse recurso. Mas um fato permanece incólume: por questões óbvias não temos como reduzir a produção de alimentos.

E se os números são preocupantes quando se trata da agricultura, eles tornam-se pálidos se comparados com a pecuária. O mesmo estudo verificou que para a produção de uma tonelada de carne bovina, são gastos nada menos que 15 milhões de litros de água. Além da água necessária para o gado, há um enorme gasto com água usada nas plantas que alimentam o gado, como a alfafa.

O estudo chega a conclusão que uma redução do consumo de carne em 50% por habitante, trocando-a por legumes, verduras e raízes, reduziria em 30% a água consumida indiretamente por ele. Tornar-se completamente vegetariano, reduziria esse consumo em 60%.

Muitos espíritas defendem a alimentação carnívora dizendo que não há um bom argumento contra ela, ao mesmo tempo em que levantam a questão 723 de O Livro dos Espíritos:


723. A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza?

"Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização".


Uma leitura desatenta do Livro dos Espíritos nos levaria a crer imediatamente que a alimentação carnívora é um direito e uma necessidade dos humanos. Entretanto, as coisas não são tão simples. Primeiramente: sabemos que o homem pode viver bem sendo vegetariano. Há inúmeros casos, desde a antiguidade. Além disso, na questão 724 lemos:


724. Será meritório abster-se o homem da alimentação animal, ou de outra qualquer, por expiação?

"Sim, se praticar essa privação em benefício dos outros. Aos olhos de Deus, porém, só há mortificação, havendo privação séria e útil. Por isso é que qualificamos de hipócritas os que apenas aparentemente se privam de alguma coisa".


Vemos que a abstinência da carne é meritória caso o fim seja o bem ao próximo. Se considerarmos os animais como seres a quem devemos também fazer o bem, dando a eles um mínimo de respeito, temos claramente uma resposta muito positiva com relação ao vegetarianismo. E em frente ao mostrado no estudo citado acima, vemos que a recusa, ou ao menos a moderação na alimentação carnívora representaria grande bem, não só aos animais, mas à sociedade como um todo e às gerações futuras.

Espíritos como André Luiz e Emmanuel são claramente favoráveis ao vegetarianismo, pois evita grande carga de sofrimentos aos reinos inferiores. Sabemos que os matadouros, existentes em todo o planeta, dão pouca ou nenhuma importância ao conforto para os animais no momento da morte (se é que isso seria possível). As matanças são feitas muitas vezes de forma violenta, brutal, inumana, imprimindo grande trauma nos princípios espirituais que estagiam nesses reinos. Há vídeos que mostram algumas dessas cenas, e o pouco que se vê é mais que suficiente para chocar.

Assim, é de nossa opinião a vários anos que a mudança bem estudada para alimentação vegetariana ou pelo menos a redução da alimentação carnívora nos proporciona grandes benefícios tanto materiais como espirituais.

[1] http://www.nytimes.com/2014/03/08/opinion/meat-makes-the-planet-thirsty.html?_r=0
[2] http://www.waterfootprint.org/Reports/Mekonnen-Hoekstra-2012-WaterFootprintFarmAnimalProducts.pdf

2 comentários:

  1. Muito bom Bruno,

    Eu acho muito mais nobre, e correto, ser vegetariano.

    Mas, infelizmente, ainda sou carnívoro ; - ;. Uma das coisas que eu posso tentar melhorar xD

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  2. Para mim não é nada difícil retirar a proteína animal de minha alimentação. Então, Bruno, voltemos à dieta vegetariana... e com muito gosto!!! =D Ou vamos reduzir (mais ainda) o consumo de carnes! ;)

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