domingo, 23 de março de 2014

Provas Científicas da Existência de Deus

Bom, vou começar esse artigo sendo bastante claro e sucinto: Não há atualmente quaisquer provas científicas de que Deus existe. Dada essa provocação inicial, vamos ao nosso texto.

Em primeiro lugar, precisamos entender o conceito de prova - ou mais rigorosamente, evidência - para a ciência:
"Uma evidência científica é o conjunto de elementos utilizados para suportar a confirmação ou a negação de uma determinada teoria ou hipótese científica. Para que haja uma evidência científica é necessário que exista uma pesquisa realizada dentro de preceitos científicos - e essa pesquisa deve ser passível de repetição por outros cientistas em locais diferentes daquele onde foi realizada originalmente" [1].

Assim uma afirmação, ou teoria, pode ser dada como comprovada quando pode ser transformada em experimento, que por sua vez possa ser observado, analisado e repetido pela comunidade científica.

Ora, Deus não pode ser observado, medido, analisado. Não pode ser submetido a um experimento controlado. Não temos como questioná-lo sobre sua existência. Portanto, concluímos que a ciência humana, até a data de publicação desse texto, não tem qualquer condição de provar a Sua existência e Sua atuação no Universo.

A boa notícia é que, da mesma forma que a ciência não tem meios de comprovar a existência de Deus, ela é incapaz de provar a sua não existência. Aliás, seria muito mais difícil provar que Deus não existe. Por que isso ocorre?

Para responder isso, temos de entender o conceito de indício. Um indício, é um vestígio, um sinal, uma indicação. Por exemplo, quando nossa campainha toca, temos um indício de que nossas visitas chegaram. Não temos ainda a certeza, apenas uma indicação desse evento.

Bem, a ciência não trabalha somente com comprovações. Se assim o fosse, ela estaria completamente paralisada e incapaz de evoluir. Há inúmeras teorias científicas ainda não comprovadas, mas bem aceitas pela ciência. Vejamos por exemplo o Big Bang - a grande explosão que deu origem ao nosso Universo a alguns bilhões de anos. Não há qualquer comprovação de que tenha realmente ocorrido. Entretanto, há inúmeros indícios disso. Indícios esses suficientes para que possamos, com certo grau de segurança, aceitar a teoria, estudá-la e desenvolvê-la. Outros casos similares e bastante clássicos são o dos buracos negros e o da matéria escura. Isso não impede que tais teorias sejam questionadas. Há vários pesquisadores que criticam o Big Bang [2][3], e recentemente o próprio Stephen Hawking afirmou que os buracos negros não existem da forma como imaginamos [4].

Voltemos agora à questão da existência de Deus. Na questão número 4 de O Livro dos Espíritos, lemos:

4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?
“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há  efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é  obra do homem e a vossa razão responderá.”
Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras  da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da  existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e  avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.
(uma interessante explanação sobre o método de Kardec pode ser encontrada aqui)

É lançado nessa questão um argumento bastante interessante que aponta para a existência de um Criador. Seria muito difícil aceitar que algo tenha surgido do nada dentro do nosso Universo. Ainda mais algo tão complexo e perfeito. Aqui, por indução, temos um indício de que Deus exista. Mas o contrário, não:  não temos qualquer indicação de que Ele não exista (aqui respondemos a pergunta feita no sexto parágrafo).

Para basear um pouco mais nossas afirmações: recentemente, um matemático afirmou que nosso universo parece ser parte de uma simulação (ver texto anterior). Ora, toda simulação exige um autor (ou autores) e mantenedores que a gerenciem.

É importante que os Espíritas se esclareçam sobre a metodologia científica. Tenho assistido várias palestras onde o expositor afirma categoricamente que Deus e os Espíritos são uma realidade cientificamente comprovada. Por mais que aprovemos o entusiasmo e boa vontade dessas pessoas, é imprescindível evitar “forçar a barra” sob pena de cairmos no ridículo.

Para fechar esse texto: Como espírita (e um tanto cético) que sou, considero que temos indicações mais que suficientes para aceitarmos a existência de Deus e dos Espíritos, conforme se acha exposto nas Obras Fundamentais de Allan Kardec.

[1] Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Evid%C3%Aancia, acessado em 23/03/2014.
[2] How Stuff Works: http://science.howstuffworks.com/dictionary/astronomy-terms/big-bang-theory7.htm, acessado em 23/03/2014.
[3] Colorado University: http://www.colorado.edu/philosophy/vstenger/Cosmo/bang.txt, acessado em 23/03/2014
[4]  Nature: http://www.nature.com/news/stephen-hawking-there-are-no-black-holes-1.14583, acessado em 23/03/2014

segunda-feira, 10 de março de 2014

A Alimentação Carnívora, a Pecuária e Nossas Reservas de Água

Nesses tempos de aumento populacional em níveis exponenciais, uma das crescentes preocupações dos governantes e estudiosos é a escassez de água potável em um futuro próximo, algo que pode levar a um sombrio cenário de guerras por esse recurso natural que atualmente é tão pouco valorizado por todos nós. Muito se tem discutido com relação às medidas que podemos tomar para prevenir a falta de água, sendo que a grande maioria delas baseia-se na economia em seu uso.

Por esse motivo, alguns pesquisadores passaram a estudar meios de realizar essa economia. Um artigo recente do New York Times[1], que trata da redução das reservas de água potável nos EUA, cita um estudo de 2012 [2], feito pela Universidade da Holanda, no periódico Ecosystems, pelos pesquisadores Mesfin M. Mekonnen and Arjen Y. Hoekstra, compara o uso da água nos diversos tipos de produção de alimentos. Esse estudo revela que para a produção de uma cabeça de brócolis, são necessários cerca de 20 litros de água e um simples tomate requer 12,5 litros. Se uma simples unidade de verdura ou legume demanda tamanha quantidade de água em sua produção, o que dizer das enormes plantações das regiões rurais? O estudo mostra que uma tonelada de vegetais consome 321.760 litros de água. Raízes como batatas e macaxeira, consomem 386.869 litros.

As exigências de água são realmente gritantes, bem como a necessidade de economia desse recurso. Mas um fato permanece incólume: por questões óbvias não temos como reduzir a produção de alimentos.

E se os números são preocupantes quando se trata da agricultura, eles tornam-se pálidos se comparados com a pecuária. O mesmo estudo verificou que para a produção de uma tonelada de carne bovina, são gastos nada menos que 15 milhões de litros de água. Além da água necessária para o gado, há um enorme gasto com água usada nas plantas que alimentam o gado, como a alfafa.

O estudo chega a conclusão que uma redução do consumo de carne em 50% por habitante, trocando-a por legumes, verduras e raízes, reduziria em 30% a água consumida indiretamente por ele. Tornar-se completamente vegetariano, reduziria esse consumo em 60%.

Muitos espíritas defendem a alimentação carnívora dizendo que não há um bom argumento contra ela, ao mesmo tempo em que levantam a questão 723 de O Livro dos Espíritos:


723. A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza?

"Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização".


Uma leitura desatenta do Livro dos Espíritos nos levaria a crer imediatamente que a alimentação carnívora é um direito e uma necessidade dos humanos. Entretanto, as coisas não são tão simples. Primeiramente: sabemos que o homem pode viver bem sendo vegetariano. Há inúmeros casos, desde a antiguidade. Além disso, na questão 724 lemos:


724. Será meritório abster-se o homem da alimentação animal, ou de outra qualquer, por expiação?

"Sim, se praticar essa privação em benefício dos outros. Aos olhos de Deus, porém, só há mortificação, havendo privação séria e útil. Por isso é que qualificamos de hipócritas os que apenas aparentemente se privam de alguma coisa".


Vemos que a abstinência da carne é meritória caso o fim seja o bem ao próximo. Se considerarmos os animais como seres a quem devemos também fazer o bem, dando a eles um mínimo de respeito, temos claramente uma resposta muito positiva com relação ao vegetarianismo. E em frente ao mostrado no estudo citado acima, vemos que a recusa, ou ao menos a moderação na alimentação carnívora representaria grande bem, não só aos animais, mas à sociedade como um todo e às gerações futuras.

Espíritos como André Luiz e Emmanuel são claramente favoráveis ao vegetarianismo, pois evita grande carga de sofrimentos aos reinos inferiores. Sabemos que os matadouros, existentes em todo o planeta, dão pouca ou nenhuma importância ao conforto para os animais no momento da morte (se é que isso seria possível). As matanças são feitas muitas vezes de forma violenta, brutal, inumana, imprimindo grande trauma nos princípios espirituais que estagiam nesses reinos. Há vídeos que mostram algumas dessas cenas, e o pouco que se vê é mais que suficiente para chocar.

Assim, é de nossa opinião a vários anos que a mudança bem estudada para alimentação vegetariana ou pelo menos a redução da alimentação carnívora nos proporciona grandes benefícios tanto materiais como espirituais.

[1] http://www.nytimes.com/2014/03/08/opinion/meat-makes-the-planet-thirsty.html?_r=0
[2] http://www.waterfootprint.org/Reports/Mekonnen-Hoekstra-2012-WaterFootprintFarmAnimalProducts.pdf

sábado, 8 de março de 2014

Arte Espírita - Acreditar


 Estamos inaugurando a Sessão Arte Espírita para divulgação de músicas, poesias, pinturas, cinema, teatro etc. Iniciamos com uma composição de Hercules Bruno, palestrante espírita da cidade do Natal/RN. Essa música é muito conhecida através do grupo Ame. Abaixo, um link para vídeo no Youtube e a música cifrada para violão.



Acreditar
Hércules Bruno
Tom: F


F                      Dm
Quando as vantagens do mundo
              Bb
Os teus olhos claros
                                  C7
não puderem mais ver

F                      Dm
Quando um parente, um amigo
              Bb
Pela porta da morte
                                C7
se afastar de você

F                     Dm
Quando te sentires sozinho
                  Bb
E o abandono que fere
                                C7
se apossar de você

F                 Dm
  Alma querida confia:
              Bb
Jesus está contigo,
                                C7
te fazendo entender

(refrão)
                F                  Dm
E acreditar numa vida mais bela
                    Bb
Onde o dom que mais vale
                      C7
É o dom de viver
                F                 Dm
E acreditar que Jesus é conosco
                    Bb
Que existe um mundo novo
                                                  C7
Que o calvário é um renascer...