segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Gatos na Reunião Mediúnica


Reunião de Estudos Mediúnicos em 28 de setembro de 2018

Nosso grupo, contando na noite com cinco médiuns, quatro doutrinadores e dois assistentes, estudava o livro dos médiuns, em momento anterior às comunicações mediúnicas. Subitamente entraram na sala dois gatos de rua, bastante mansos, mas provavelmente com muita fome, já que estavam miando constantemente. Coloquei ambos para fora da sala para não distraíssem os participantes do estudo, mas não sem protestos de duas das médiuns presentes. A bagunça inicial cessou, mas infelizmente, os animais permaneceram miando do lado de fora.

Apesar dos ruídos insistentes, a reunião ocorreu sem problemas, com várias comunicações, como de costume. Findo o momento da prática, iniciamos as avaliações das comunicações. Fato interessante: Uma das médiuns (que protestou contra a expulsão dos gatos) disse que ocorreu um fenômeno peculiar. Ela disse que um dos espíritos que se comunicaram, que havia sido em vida uma senhora acumuladora. Esse espírito, segundo a médium, estaria muito preocupada com os gatos que criava quando estava encarnada, pois não sabia quem cuidaria deles [1]. Com relação a essa sensação que o espírito teria externado, a médium disse que sentia-se inicialmente em dúvida. Disse que pensou tratar-se de animismo, mas no decorrer da comunicação passou a ter maior segurança na sua veracidade. Nesse momento, nada menos que dois outros médiuns disseram sentir a mesma coisa sobre aquela comunicação: que o espírito se preocupava muito com supostos gatos que teria deixado no mundo material.

Devo dizer que fiquei extremamente desconfiado dessa comunicação, mas o testemunho de dois outros médiuns me deixou meio desarmado. Pensava eu: “Será que um dos médiuns chegou a influenciar os outros com algo de sua criação?” A palavra “animismo” martelava em minha mente, mas nada falei, pois havia várias outras comunicações a avaliar, e pouco tempo.

Uma semana depois, estudando o tema proposto para a noite seguinte, quando seria a próxima comunicação, me deparei com um trecho do livro O Transe Mediúnico, de Odilon Fernandes e Carlos A. Baccelli:

     “Os médiuns são sensíveis ao pensamento dos desencarnados e dos encarnados.
     Toda faculdade mediúnica, pois, é de natureza anímica.
     Contudo mais sensíveis que ao pensamento dos encarnados, os médiuns o são de suas emoções.
     Consciente ou inconscientemente, o encarnado pode interferir na recepção de uma mensagem mediúnica. E, mais que interferir, pode influenciar no seu conteúdo.
O médium é uma espécie de aparelho de ausculta do meio em que se encontra. Daí os comunicados que recebe, sempre refletem temas da realidade que vivencia”. [2]


Ou seja, os médiuns podem ser facilmente influenciados pelo meio em que se encontram, por situações da vida cotidiana e por pensamentos de encarnados ao seu redor. Segue Baccelli:


     “Com o médium, acoplado, por assim dizer, ao seu psiquismo, o espírito comunicante, até certo ponto, igualmente se permite sugestionar pela situação existencial da qual, de maneira indireta, está participando.
    É praticamente impossível que o médium se isole, de maneira absoluta, do contexto psicológico e emocional em que vive. Ele recebe n influências que terminam por refletir-se no comunicado de que se faz intérprete.
     O espírito, nada mais sendo que homem fora do corpo, também não consegue se furtar às interferências do meio em que respira.” [3]


O próprio espírito desencarnado pode ser levado a sugestionar-se devido à interferência do meio. Vemos o quanto pode ser complexa a identificação da ideia original do espíritos, sem escolhos. No texto, os autores lembram que Chico Xavier, para escrever os livros, isolava-se em sua casa, protegido pela espiritualidade de influências externas. Por outro lado, quando trabalhava com as cartas consoladoras, preferia estar próximo das pessoas, para conseguir sentir melhor seus dramas, e assim captar com mais familiaridade as comunicações de desencarnados queridos.

Munidos dessa informação, vemos que o caso dos gatos, acima narrado, pode encaixar-se facilmente em uma situação anímica. Mesmo aceitando que houve um atendimento a um espírito necessitado, a sensação descrita pela médium, de que este preocupava-se com gatos que teria deixado quando viva, pode ter sido apenas um cenário criado pela influência de um ou mais membros do grupo mediúnico [2]. Influenciação essa que pode ter ‘contaminado’ os três médiuns que entraram em consonância. Essa, em minha opinião, é a hipótese mais provável.


[1] Nota: Não houve qualquer correlação entre os gatos que apareceram na sala e os supostos gatos objetos da preocupação do espírito.
[2] Grifos nossos
[3] Idem
[4] Deve-se perceber que a comunicação do espírito foi considerada real. Apenas o cenário dos gatos é que consideramos criado animicamente pelo grupo.