Reunião
de Estudos Mediúnicos em 28 de setembro de 2018
Nosso
grupo, contando na noite com cinco médiuns, quatro doutrinadores e
dois assistentes, estudava o livro dos médiuns, em momento anterior
às comunicações mediúnicas. Subitamente entraram na sala dois gatos de rua,
bastante mansos, mas provavelmente com muita fome, já que estavam
miando constantemente. Coloquei ambos para fora da sala para não
distraíssem os participantes do estudo, mas não sem protestos de duas
das médiuns presentes. A bagunça inicial cessou, mas infelizmente, os animais permaneceram miando
do lado de fora.
Apesar
dos ruídos insistentes, a reunião ocorreu sem problemas, com várias
comunicações, como de costume. Findo o momento da prática,
iniciamos as avaliações das comunicações. Fato interessante: Uma
das médiuns (que protestou contra a expulsão dos gatos) disse que
ocorreu um fenômeno peculiar. Ela disse que um dos espíritos que se
comunicaram, que havia sido em vida uma senhora acumuladora. Esse
espírito, segundo a médium, estaria muito preocupada com os gatos
que criava quando estava encarnada, pois não sabia quem cuidaria
deles [1]. Com relação a essa sensação que o espírito teria
externado, a médium disse que sentia-se inicialmente em dúvida.
Disse que pensou tratar-se de animismo, mas no decorrer da
comunicação passou a ter maior segurança na sua veracidade. Nesse
momento, nada menos que dois outros médiuns disseram sentir a mesma
coisa sobre aquela comunicação: que o espírito se preocupava muito
com supostos gatos que teria deixado no mundo material.
Devo
dizer que fiquei extremamente desconfiado dessa comunicação, mas o
testemunho de dois outros médiuns me deixou meio desarmado. Pensava
eu: “Será que um dos médiuns chegou a influenciar os outros com
algo de sua criação?” A palavra “animismo” martelava em minha
mente, mas nada falei, pois havia várias outras comunicações a
avaliar, e pouco tempo.
Uma
semana depois, estudando o tema proposto para a noite seguinte,
quando seria a próxima comunicação, me deparei com um trecho do
livro O Transe Mediúnico, de Odilon Fernandes e Carlos A. Baccelli:
“Os
médiuns são sensíveis ao pensamento dos desencarnados e
dos encarnados.
Toda
faculdade mediúnica, pois, é de natureza anímica.
Contudo
mais sensíveis que ao pensamento dos encarnados, os médiuns o são
de suas emoções.
Consciente
ou inconscientemente, o
encarnado pode interferir na recepção de uma mensagem mediúnica.
E, mais que interferir, pode influenciar no seu conteúdo.
O
médium é uma espécie de aparelho de ausculta do meio em que se
encontra. Daí os comunicados que recebe, sempre
refletem temas da realidade que vivencia”.
[2]
Ou
seja, os médiuns podem ser facilmente influenciados pelo meio em que
se encontram, por situações da vida cotidiana e por pensamentos de
encarnados ao seu redor. Segue Baccelli:
“Com
o médium, acoplado, por assim dizer, ao seu psiquismo, o espírito
comunicante, até certo ponto, igualmente se permite sugestionar pela
situação existencial da qual, de maneira indireta, está
participando.
É
praticamente impossível que o médium se isole, de maneira absoluta,
do contexto psicológico e emocional em que vive. Ele recebe n
influências que terminam por refletir-se no comunicado de que se faz
intérprete.
O
espírito, nada mais sendo que homem fora do corpo, também não
consegue se furtar às interferências do meio em que respira.” [3]
O
próprio espírito desencarnado pode ser levado a sugestionar-se
devido à interferência do meio. Vemos o quanto pode ser complexa a
identificação da ideia original do espíritos, sem escolhos. No
texto, os autores lembram que Chico Xavier, para escrever os livros,
isolava-se em sua casa, protegido pela espiritualidade de influências
externas. Por outro lado, quando trabalhava com as cartas
consoladoras, preferia estar próximo das pessoas, para conseguir
sentir melhor seus dramas, e assim captar com mais familiaridade as
comunicações de desencarnados queridos.
Munidos
dessa informação, vemos que o caso dos gatos, acima narrado, pode
encaixar-se facilmente em uma situação anímica. Mesmo aceitando
que houve um atendimento a um espírito necessitado, a sensação
descrita pela médium, de que este preocupava-se com gatos que teria
deixado quando viva, pode ter sido apenas um cenário criado pela
influência de um ou mais membros do grupo mediúnico [2].
Influenciação essa que pode ter ‘contaminado’ os três médiuns
que entraram em consonância. Essa, em minha opinião, é a hipótese
mais provável.
[1]
Nota: Não houve qualquer correlação entre os gatos que apareceram
na sala e os supostos gatos objetos da preocupação do espírito.
[2]
Grifos nossos
[3]
Idem
[4]
Deve-se perceber que a comunicação do espírito foi considerada
real. Apenas o cenário dos gatos é que consideramos criado
animicamente pelo grupo.
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