É comum no meio espírita os debates relacionados ao tema polêmico da alimentação carnívora. Recentemente escrevi um pequeno texto nesse blog, dando algumas opiniões minhas, baseadas na Codificação Espírita.
Hoje, em conversa com amigos, veio a tona o recorrente argumento de que ao nos alimentarmos de vegetais estamos também matando seres vivos, e assim o vegetarianismo seria tão moralmente errado quanto a alimentação carnívora convencional.
Entretanto, como estamos tratando do aspecto espiritual do tema, não podemos nos limitar apenas a detalhes puramente conceituais. É certo que as criaturas de ambos os reinos tem vida. Entretanto, precisamos ir além e nos debruçar sobre o aspecto evolucionário daquilo que chamamos de "Princípio Espiritual".
Nos primeiros capítulos de "O Livro dos Espíritos" (LE) aprendemos que princípio espiritual é uma das materias componentes primordiais da Criação, sendo o ponto de início de todos os Espíritos. De forma análoga, o princípio material é o formador de tudo quanto seja matéria/energia (ver perguntas 21-28 do LE).
Vemos também nessas perguntas citadas, que o princípio espiritual sempre evolui. Cada construção é mantida. Sempre "caminha para frente". Enquanto que o princípio material pode "montar-se e desmontar-se".
Para que possamos entender o processo, vamos citar o átomo de oxigênio. Se o juntarmos a outro átomo de oxigênio (O), formamos uma molécula de oxigênio (O2). Se somarmos outro átomo, formaremos o Ozônio (O3). Essas moléculas podem se separar, voltando ao seu estado original, unindo-se a outros átomos para formar outras moléculas em processos infinitos no tempo e espaço. Se o átomo de oxigênio fosse formado pelo princípio espiritual ao invés do material, no momento em que se unisse (formando a molécula de oxigênio) não poderia ser desfeito. Ou seja, o Espírito sempre evolui.
No capítulo XI - Os Três Reinos, Kardec lança uma sequência arrebatadora de perguntas aos Espíritos e, especialmente a partir da pergunta 592, chegamos a algumas conclusões interessantes:
1. Os animais tem uma espécie de "alma", diferente da alma humana, e que é chamada de princípio espiritual, mas aqui, para diferenciar do elemento formador que compartilha o mesmo nome, chamaremos de alma animal;
2. A alma animal evolui (pois descende do princípio espiritual) em diversos estágios nos reinos Mineral, Vegetal e Animal. Tal evolução dura incontáveis eras;
3. A alma animal diferencia-se da alma humana por não ser ainda um ser completamente consciente de si próprio;
4. Ao chegar ao ápice do que tais reinos podem proporcionar em termos de evolução, a alma animal toma ciência de si própria, e consequentemente adquire completo livre arbítrio, tornando-se plenamente responsável pelos seus atos. Nesse momento o princípio espiritual que era chamado de alma animal ganha estatus de ser humano e pode passar a encarnar, coisa somente possível no reino hominal.
5. Todo esse processo se dá em uma evolução constante, da pedra ao homem.
Nesse mesmo capítulo, os Espíritos nos ensinam que as almas no período vegetal não sentem dor, e não tem a qualquer consciência (LE-586 e LE-587).
Já os animais possuem os primórdios da vontade, das emoções e da consciência (obviamente que aqui falamos dos animais superiores).
Assim, voltando à questão inicial desse texto. Sabendo-se que os animais sentem dor, medo, raiva, angústia, tristeza. Que além disso são capazes de lembrar tais experiências, perguntamos: Será que o "assassinato" de um vegetal seria igualmente malfazejo como o de um animal? O bom senso nos indica que não. Na verdade são coisas completamente díspares.
Por esse raciocínio, e por outros, também, particularmente somos adeptos da tese de que a alimentação vegetariana é mais saudável, tanto material, como Espiritualmente.
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