sábado, 22 de maio de 2021

A Teoria do Salto Etéreo

A Doutrina Espírita, e diversas outras doutrinas espiritualistas, afirmam que o Espírito, herdeiro da Criação, evolui através dos diversos reinos da natureza em jornada pelos diversos astros componentes do Universo. Desde os planetas mais densos, materializados e primitivos, até mundos que albergam humanidades evoluídas, felizes, avançadas tecnologicamente e emocionalmente, vibrando em dimensões tão sutis, que nossos sentidos e aparelhos seriam totalmente incapazes de perceber.

Todos os Espíritos e todas as humanidades, bem como todos os planetas evoluem. Allan Kardec, através da Doutrina Espírita, propõe a seguinte escala de mundos, a título de estudo:

  • Mundos Primitivos: Espíritos nos passos iniciais da evolução. Corpos completamente materiais. Todos os instintos encontram-se em plena força, sobrepujando sentimentos e razão. Encarnações se dão em corpos de matéria densa.
  • Mundos de Expiação e Provas: Razão e tecnologias já existem, mas o mal e as paixões  predominam. São mundos voltados ao aprendizado mais rude, com dores e expiações difíceis. Encarnações se dão em corpos de matéria densa. A Terra é um desses mundos.
  • Mundos de Regeneração: O Bem já está em começa a se sobrepor ao mal. As dores, quando surgem, são bem mais leves que na Terra. Encarnam em corpos mais sutis que os da Terra.
  • Mundos Ditosos: O Bem sobrepuja completamente o mal. Mundos muito felizes, com humanidades totalmente fraternas. Encarnam em corpos muito sutis.
  • Mundos Celestes/Divinos: Espíritos que completaram seu processo evolutivo. Alcançaram o ápice da pureza e perfeição espirituais.

 
A lista acima descreve a escala ascendente dos mundos, desde os mais densos e primitivos, aos mais sutis e felizes. Nota-se que nos mais atrasados, as encarnações se dão em corpos de matéria densa, como ocorre com os nossos. Já nos mundos de regeneração e superiores, as reencarnações se dão em corpos cada vez mais sutis (talvez já nas dimensões dos planos astral ou mental). Ou seja, à medida que os mundos vão evoluindo, suas humanidades se utilizam de corpos cada vez mais espiritualizados.
 
Segundo algumas informações de Espíritos desencarnados, planetas como Marte, Júpiter e todos os outros na vizinhança da Terra são habitados por humanidades num grau evolutivo superior ao da Terra, portanto inacessíveis à nossa visão ou detecção por nossos aparelhos, já que estão em dimensões ou planos vibracionais mais altos. A Terra, como mundo de expiação e provas, estaria no limiar da passagem para o início da categoria de mundo de regeneração, quando então ocorrerá a separação do “joio e trigo” na linguagem das Escrituras, ou seja, a migração em massa de Espíritos atrasados para mundos primitivos, dando mais espaço na Terra para o surgimento do Bem.
 
Desta tese, surge entretanto uma questão de difícil resposta: Vimos que a evolução moral dos Espíritos em um planeta implica na evolução corporal. Quanto mais elevada moralmente a humanidade, mais espiritualizados são as mentes e também os corpos. Como então (e quando) ocorreria a migração, o salto, dos corpos densos comuns em mundos inferiores para a encarnação em corpos mais sutis? A transformação do corpo do plano físico para um corpo do plano etérico parece inverossímil. Não existe processo conhecido para explicar tal fenômeno. E mesmo que fosse possível, tal mudança poderia exigir dezenas de milênios para ocorrer. Ora, se a simples evolução do antigo estado hominídeo para o homo sapiens exigiu tantos milênios, que dizer da mudança vibracional do corpo físico e de toda a matéria do planeta! Demandaria muito mais tempo. E isso não parece compatível com a nossa proximidade para estágio de regeneração indicado por revelações espirituais.
 
A teoria que proponho nesse trabalho, é a de que o processo não se dará de forma miraculosa ou sobrenatural. Mas de forma extremamente natural e lógica. Ora, na verdade todos nós que já encarnamos no corpo denso estamos utilizando também um outro corpo, intermediário e imperceptível para nós: o Corpo Etérico! Esse corpo, de composição que podemos dizer, semi-material, detém praticamente todas as características do nosso corpo físico, sendo quase uma cópia célula a célula. A diferença é que um encontra-se no plano físico e o outro, no etérico. O que se propõe nesse ensaio teórico é que a humanidade gradualmente deixará de encarnar no corpo físico, passando a encarnar usando apenas o corpo etérico. Isso caracterizará uma humanidade em estágio de regeneração pleno.Acredito inclusive que esse processo já tenha sido iniciado. Muitos espíritos podem estar encarnando a décadas em corpo etérico, sendo os precursores na construção das bases para a nova sociedade que existirá apenas nesse plano. Muito esforço e trabalho podem estar sendo carreados nesse exato momento para formar os pródromos de um novo mundo.
 
Revelações espirituais recentes (como nos livros “Transição Planetária” e “O Alvorecer de Uma Nova Era”, de Divaldo Pereira Franco) revelam que espíritos de mundos mais elevados estão vindo reencarnar na Terra para acelerar o processo de transição. Parte desses espíritos podem estar reencarnando em plano físico. Outra parte em, plano etérico. Dessa forma, esse apoio em dois planos torna-se mais efetivo.
 
Acreditamos, que pouco a pouco, tanto os humanos como toda a vida na Terra deixarão de encarnar no plano físico. Esse se deteriorará, fenecerá, tornando-se um enorme deserto como hoje é Marte. Mas florescerá mais grandioso e luminoso em sua dimensão etérea, seguindo o que determina a lei de evolução.




domingo, 14 de junho de 2020

Kardec e a Política no Centro Espírita

No início do ano de 1862, com a Doutrina Espírita em franco crescimento na Europa, Allan Kardec, que recebera diversas cartas com mensagens pela passagem de ano, sente-se compelido a responder seus interlocutores. Mas como as mensagens contavam-se às centenas, vê que é impossível respondê-las individualmente. Sendo assim, resolve publicar uma longa carta resposta na Revista Espírita de 1862. A carta divide-se em agradecimentos, conselhos e recomendações.

Dentre as diversas recomendações, uma delas ganhou particular atenção, dada a sua importância, permanecendo ela atualíssima em nossos dias. Referindo-se às discussões políticas dentro dos centros e agremiações espíritas, Kardec diz:

"Devo ainda assinalar-vos outra tática dos nossos adversários, a de procurar comprometer os espíritas, induzindo-os a se afastarem do verdadeiro objetivo da doutrina, que é o da moral, para abordarem questões que não são de sua alçada e que, a justo título, poderiam despertar suscetibilidades e desconfianças. Não vos deixeis cair nessa armadilha; afastai cuidadosamente de vossas reuniões tudo quando se refere à política e a questões irritantes; a tal respeito, as discussões apenas suscitarão embaraços, enquanto ninguém terá nada a objetar à moral, quanto esta for boa. Procurai no Espiritismo aquilo que vos pode melhorar: eis o essencial. Quando os homens forem melhores, as reformas sociais realmente úteis serão uma consequência natural; trabalhando pelo progresso moral, lançareis os verdadeiros e mais sólidos fundamentos de todas as melhoras, e deixareis a Deus o cuidado de fazer com que cheguem no devido tempo. No próprio interesse do Espiritismo, que é ainda jovem, mas que amadurece depressa, oponde uma firmeza inquebrantável aos que quiserem vos arrastar por uma via perigosa".


Vemos a preocupação de Kardec com a questão da inserção de assuntos político-partidários-ideológicos dentro do seio da Doutrina Espírita. Sabia ele que isso afastaria os espíritas do verdadeiro objetivo da doutrina - a melhoria moral do homem. Sabia ele que isso causaria a disseção e divisão dentro dos grupos. Pior que isso, levaria às brigas e discussões intermináveis e estéreis, que nada tem a ver com o Espiritismo, levando seus adeptos a se separarem ao invés de se unirem. E não temos visto isso ocorrer nos tempos atuais? Grupos romperem trabalhos luminosos devido às contendas de caráter político? Ficarem à mercê das trevas e da obsessão?

Temos de nos lembrar que seremos responsáveis por tudo de mal que fizermos, e por todo o bem que deixarmos de fazer. Dentro da casa espírita temos o dever de calar certos ímpetos que não são convenientes ao ambiente. Com relação a isso, o próprio Espírito de Verdade, em mensagem no capítulo XX do Evangelho Segundo o Espiritismo, nos ensina:


Felizes serão os que houverem dito a seus irmãos: "Trabalhemos juntos, e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, na sua vinda, encontre a obra acabada", porque a esses o Senhor dirá: "Vinde a mim, vós que sois os bons servidores, vós que soubestes calar os vossos melindres e as vossas discórdias, para que a obra não saísse prejudicada!"


A mensagem é clara e inequívoca: calemos as nossas discórdias para não prejudicar a obra do Espiritismo. Se não contivermos nosso orgulho, nosso ego e nossa vaidade tão vãs, traremos empecilhos graves ao bom andamento do trabalho do Consolador. O trabalho do Espiritismo encontra-se na modificação do coração do homem. Se o coração do homem for mudado para melhor, a evolução das questões sociais se fará naturalmente.

É claro que a recomendação de Kardec não implica em dizer que nós, espíritas, não possamos ter o nosso posicionamento político. Podemos sim, e até temos isso como dever de cidadãos. O que não podemos estar fazendo é impor nossos pensamentos dentro de nossos grupos e agremiações, pois todos sabemos até onde isso pode levar. A casa espírita é local de trabalho, harmonia, respeito mútuo para o desenvolvimento do Amor, conforme o Cristo nos recomendou.

Unamos nossas mãos portanto, independente de nosso posicionamento político. Em Espiritismo, nosso pensamento deverá ser um só: "Amai-vos e instrui-vos". Dessa forma, estaremos colaborando para a manutenção de um ambiente de verdadeira união, fraternidade e espiritualidade.

Sigamos com o Cristo.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

O Aborto na Visão Espírita


Muito se tem falado da questão do direito ao aborto nos dias atuais. Movimentos ideológicos, políticos, partidos e ONGs alegam o "direito  ao corpo" que as mulheres teriam. Argumento similar é utilizado também pelos que pregam o direito à eutanásia e ao suicídio. Mas qual a opinião do Espiritismo com relação ao aborto? Para responder a esse pergunta, analisemos diretamente as bases da Doutrina. O Livro dos Espíritos, em sua questão 358 diz:


358. Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?

“Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, porque impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.”

Ou seja, o Espiritismo coloca-se diametralmente contra a prática do aborto. Em consonância com Kardec, diversos autores espirituais (Emmanuel, André Luiz, Luis Sérgio etc), bem como médiuns, estudiosos e oradores renomados, também são contrários. O aborto para o Espiritismo é um crime contra uma vida inocente e indefesa.

Mas e a questão do "direito ao corpo"? A mulher não teria o direito sobre ele?

A resposta é que temos um direito parcial sobre nosso corpo.  Ele é um "empréstimo" tomado da economia universal para que possamos desenvolver uma nova reencarnação. Essa massa de matéria viva nos é dada no momento de nossa concepção para que dela nos sirvamos segundo nosso livre arbítrio, e nos é tomada no momento da morte, quando seguimos como Espíritos desencarnados. Essa 'tomada' já nos indica que não somos senhores supremos do nosso corpo, pois Deus pode nos separar dele, a qualquer momento, quando julgar necessário. Somos donos apenas de nossas aquisições intelectuais e emocionais, já que nada nos pode separar delas. Nem mesmo a morte, já que inteligência, emoção e sentimentos são atributos intrínsecos do Espírito.

Além disso, devemos notar que, mesmo que tivéssemos total posse sobre nossos corpos materiais, no caso de uma gestação, o feto tem seu próprio corpo. É novo binário espírito-corpo, que já iniciou a sua encarnação. Dessa forma, não podemos simplesmente decidir por ele.


"Qual o primeiro dos direitos naturais do homem?
O de viver.
O Livro dos Espíritos, questão 880.


Mas existe algum caso onde seja aceitável o aborto, dentro da Doutrina Espírita? O próprio Kardec já questionava isso:

359. No caso em que o nascimento da criança puser em perigo a vida da mãe, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?

“Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.”

Ou seja, no caso específico e comprovado de risco de morte para a mãe, deve-se dar a preferência ao espírito que já está encarnado. O reencarnante perde temporariamente a oportunidade do renascimento, mas poderá tê-la futuramente, muito possivelmente com a mesma mãe.

Entretanto, apesar de tantas admoestações claras contra o aborto, muitos espíritas, caem no erro de propalar as ideologias ditas 'modernas' de "direito ao corpo", em completo desacordo com a Doutrina Espírita. Criam narrativas e interpretações que desfiguram o pensamento espírita. Chegam ao extremo de dizer que Kardec não tem legitimidade para falar, e tentam desmerecer e ridicularizar pensadores espíritas e médiuns de todos os tempos, no afã de desmoralizar a doutrina, forçando-a a aceitar o inaceitável e transformando-a segundo os seus interesses.

Dizem que o Espírita não deve posicionar-se politicamente contra o aborto, pois o Estado é laico, e não podemos (segundo eles) decidir pelos outros. Mesmo sendo isso é princípio básico da Democracia. Se seguirmos por essa lógica, também não poderemos, tendo por base uma religião, nos opor ao armamento generalizado, à pena de morte, às desigualdades sociais. Ora, se como espírita, posso posicionar-me politicamente contra as armas, contra a pena de morte e contra as desigualdades, por que motivos não posso ser contrário o aborto?

O aborto é crime contra as Leis Divinas. O Espiritismo, em suas obras básicas e complementares, posiciona-se claramente contra ele e em prol da Vida. Tomemos também a nossa posição, lembrando o que O Cristo disse: "Quem não está comigo, está contra mim" (Mt. 12,30).

Espíritas! Não nos escondamos mais! Defendamos a nossa filosofia! Propaguemos a verdade nela contida, resistindo à onda nefasta que busca derrubá-la. Trabalhemos juntos continuamente para que o Espiritismo continue sendo Luz, Consolação e Esperança para as gerações atuais e as vindouras!

Sigamos adiante.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Gatos na Reunião Mediúnica


Reunião de Estudos Mediúnicos em 28 de setembro de 2018

Nosso grupo, contando na noite com cinco médiuns, quatro doutrinadores e dois assistentes, estudava o livro dos médiuns, em momento anterior às comunicações mediúnicas. Subitamente entraram na sala dois gatos de rua, bastante mansos, mas provavelmente com muita fome, já que estavam miando constantemente. Coloquei ambos para fora da sala para não distraíssem os participantes do estudo, mas não sem protestos de duas das médiuns presentes. A bagunça inicial cessou, mas infelizmente, os animais permaneceram miando do lado de fora.

Apesar dos ruídos insistentes, a reunião ocorreu sem problemas, com várias comunicações, como de costume. Findo o momento da prática, iniciamos as avaliações das comunicações. Fato interessante: Uma das médiuns (que protestou contra a expulsão dos gatos) disse que ocorreu um fenômeno peculiar. Ela disse que um dos espíritos que se comunicaram, que havia sido em vida uma senhora acumuladora. Esse espírito, segundo a médium, estaria muito preocupada com os gatos que criava quando estava encarnada, pois não sabia quem cuidaria deles [1]. Com relação a essa sensação que o espírito teria externado, a médium disse que sentia-se inicialmente em dúvida. Disse que pensou tratar-se de animismo, mas no decorrer da comunicação passou a ter maior segurança na sua veracidade. Nesse momento, nada menos que dois outros médiuns disseram sentir a mesma coisa sobre aquela comunicação: que o espírito se preocupava muito com supostos gatos que teria deixado no mundo material.

Devo dizer que fiquei extremamente desconfiado dessa comunicação, mas o testemunho de dois outros médiuns me deixou meio desarmado. Pensava eu: “Será que um dos médiuns chegou a influenciar os outros com algo de sua criação?” A palavra “animismo” martelava em minha mente, mas nada falei, pois havia várias outras comunicações a avaliar, e pouco tempo.

Uma semana depois, estudando o tema proposto para a noite seguinte, quando seria a próxima comunicação, me deparei com um trecho do livro O Transe Mediúnico, de Odilon Fernandes e Carlos A. Baccelli:

     “Os médiuns são sensíveis ao pensamento dos desencarnados e dos encarnados.
     Toda faculdade mediúnica, pois, é de natureza anímica.
     Contudo mais sensíveis que ao pensamento dos encarnados, os médiuns o são de suas emoções.
     Consciente ou inconscientemente, o encarnado pode interferir na recepção de uma mensagem mediúnica. E, mais que interferir, pode influenciar no seu conteúdo.
O médium é uma espécie de aparelho de ausculta do meio em que se encontra. Daí os comunicados que recebe, sempre refletem temas da realidade que vivencia”. [2]


Ou seja, os médiuns podem ser facilmente influenciados pelo meio em que se encontram, por situações da vida cotidiana e por pensamentos de encarnados ao seu redor. Segue Baccelli:


     “Com o médium, acoplado, por assim dizer, ao seu psiquismo, o espírito comunicante, até certo ponto, igualmente se permite sugestionar pela situação existencial da qual, de maneira indireta, está participando.
    É praticamente impossível que o médium se isole, de maneira absoluta, do contexto psicológico e emocional em que vive. Ele recebe n influências que terminam por refletir-se no comunicado de que se faz intérprete.
     O espírito, nada mais sendo que homem fora do corpo, também não consegue se furtar às interferências do meio em que respira.” [3]


O próprio espírito desencarnado pode ser levado a sugestionar-se devido à interferência do meio. Vemos o quanto pode ser complexa a identificação da ideia original do espíritos, sem escolhos. No texto, os autores lembram que Chico Xavier, para escrever os livros, isolava-se em sua casa, protegido pela espiritualidade de influências externas. Por outro lado, quando trabalhava com as cartas consoladoras, preferia estar próximo das pessoas, para conseguir sentir melhor seus dramas, e assim captar com mais familiaridade as comunicações de desencarnados queridos.

Munidos dessa informação, vemos que o caso dos gatos, acima narrado, pode encaixar-se facilmente em uma situação anímica. Mesmo aceitando que houve um atendimento a um espírito necessitado, a sensação descrita pela médium, de que este preocupava-se com gatos que teria deixado quando viva, pode ter sido apenas um cenário criado pela influência de um ou mais membros do grupo mediúnico [2]. Influenciação essa que pode ter ‘contaminado’ os três médiuns que entraram em consonância. Essa, em minha opinião, é a hipótese mais provável.


[1] Nota: Não houve qualquer correlação entre os gatos que apareceram na sala e os supostos gatos objetos da preocupação do espírito.
[2] Grifos nossos
[3] Idem
[4] Deve-se perceber que a comunicação do espírito foi considerada real. Apenas o cenário dos gatos é que consideramos criado animicamente pelo grupo.

sábado, 18 de agosto de 2018

Suicídio vs Homicídio


Por que o suicídio é considerado crime mais grave que o homicídio?


Le Suicidé, pintura de Edouard Manet.


É entendimento inabalável na Doutrina dos Espíritos, que tanto o suicídio quanto o homicídio são crimes graves perante as Leis Divinas. Pode-se verificar isso facilmente no estudo de O Livro dos Espíritos nas questões 943 a 957, que tratam do suicídio, e nas questões 747 a 751, sobre o homicídio. Além disso, é senso comum entre nós Espíritas, que o suicídio é crime bem mais grave que o homicídio. Os Espíritos tem repetido essa afirmação continuamente. Livros foram escritos relatando a situação complicada daqueles que se suicidam. Veja-se por exemplo a obra espírita mais famosa que trata do assunto, “Memórias de um Suicida”, da médium Yvonne do Amaral Pereira. O livro conta a triste história do escritor Camilo Cândido Botelho, supostamente pseudônimo do famoso escritor português Camilo Castelo Branco, que cometeu suicídio em 1890. Liberto do corpo, alcança o mundo espiritual em estado de extremo desequilíbrio, passando anos em pesados sofrimentos no Vale dos Suicidas, sendo finalmente resgatado por voluntários de uma comunidade espiritual chamada Hospital Maria de Nazaré.

Fica patente na maioria dos relatos de espíritos suicidas o supremo sofrimento ao qual se condenam, sendo sempre mais doloroso que os crimes de assassinato. Para muitos fica o questionamento: por que? Como um crime cometido contra si próprio e levado a conta por sua própria vontade pode ser mais condenável que aquele que tira a vida a um terceiro, que muitas vezes implora pela vida?

Essa pergunta costumava consternar minha mente com certa frequência. O fato simplesmente não parecia ter lógica e cheguei por vezes a duvidar das afirmações de certos espíritos. Me perguntava como a Lei “punia” os suicidas de forma mais severa que os homicidas. Por muito tempo me questionei e meditei sobre o problema. Somente após anos de espiritismo cheguei a uma conclusão adequada e racional. Nesse artigo tento explicá-la. Espero que possa auxiliar outros espíritas, que tenham as mesmas dúvidas, da mesma forma que me auxiliou.

Capa do livro "Memórias de um Suicida".



O Homicídio

O homicídio é um dos crimes tipificados como mais perversos tanto nas leis humanas como nas leis divinas. Vai contra um dos direitos mais básicos do ser humano: o de viver. Além disso, do ponto de vista materialista, um assassinato priva a vítima subitamente de todos os outros direitos a que ela tem e que terá, a todas as suas conquistas, alegrias felicidades atuais ou futuras. Já do ponto de vista espiritualista, a vítima tem sua atual jornada evolutiva (sua encarnação presente) estancada temporariamente. Ou seja, ela terá ainda novas oportunidades em encarnações subsequentes.

Há de se observar que as maldades que o homem comete podem ser usadas por Deus como ferramenta para a evolução do próprio homem. Assim, alguém que seja bruto em uma vida poderá [1] sofrer brutalidade de outrem nessa mesma vida ou em vidas seguintes. O objetivo dessa reação da Lei Divina (a Lei do Retorno) é fazer esse espírito perceber o quão mal suas vítimas se sentem devido a ações dele. Assim, da mesma forma que uma criança educada pelos pais, ele sentirá “na pele” a dor que causou aos outros.

Assim, a ação malévola de um assassino pode ser usada por Deus como uma forma de “catalisador evolutivo” de um espírito que tenha praticado assassinatos em vidas passadas, ou mesmo nessa. Em  casos mais extremos, pode um Espírito até solicitar ao reencarnar que sua vida seja tolhida através de um ato violento. Isso como forma de expiação de débitos passados, ou como missão [2]. É solicitação dele, que pode ser aceita ou não pelos Espíritos responsáveis por sua encarnação. Nesse caso entretanto, é importante fazer notar que isso não implicará automaticamente que Deus determinará algum assassino para ele. Isso será deixado a par do livre arbítrio dos homens. Caso não haja, no decurso da reencarnação desse espírito, uma pessoa que intente de própria vontade contra sua vida, ele morrerá de outras causas. Deus nunca determinará que alguém faça o mal. Ninguém poderá alegar matar por determinação divina. Jamais.

Por outro lado, podemos dizer que aqueles espíritos que não tem em seu planejamento reencarnatório a possibilidade de ser assassinados, terão uma grande proteção do Plano Espiritual contra esse tipo de incidente. Entretanto, é necessário que não criem situações que coloquem suas vidas em risco. Já diz o ensinamento do Cristo: “não tentarás o senhor teu Deus”. O homem que se expõe a situações violentas, poderá ser vítima delas mesmo que isso não esteja planejado.

Assim, através dessa sequência de raciocínio, pudemos ver que a Providência Divina pode usar (e definitivamente usa) atos maus, revertendo-os para o bem das criaturas, ao mesmo tempo em que respeita o direito ao livre arbítrio dos homens.



O Suicídio

O suicídio, ao contrário do homicídio, parece causar uma quantidade de mal menor, já que há na maioria dos casos, apenas uma pessoa envolvida. Além disso, o suicida comete o ato por sua própria vontade. Analisemos, entretanto, com mais detalhes.

O primeiro ponto a observar é que, da mesma forma que Deus não determina que existam assassinos, Ele também não determina que existam suicidas. Assim, ninguém poderá alegar que se matou por que Deus ordenou ou porque tinha débitos do passado. A Providência Divina deseja acima de tudo a salvação de Seus filhos, e não a sua aniquilação.

Vimos anteriormente que Deus pode permitir que um assassinato ocorra caso exista benefícios para a vítima (ver sessão anterior). Dessa forma, uma ação má é revertida em bem. O mesmo não pode ser dito do suicídio. Lembremos, ninguém nasce determinado a se suicidar para quitar débitos. E muito menos por missão. Ou seja, não há o que reverter. Não há bem que se possa tirar disso.

Alguém poderia perguntar: “Se ele não está pré-determinado a se matar, por que os Espíritos simplesmente não o protegem?” É uma questão válida. Os Espíritos Prepostos tem dificuldade em proteger o suicida de seus atos, já que tem o dever de respeitar seu livre arbítrio. Sabemos de diversos casos de tentativas que falharam. Isso nos indica que a Espiritualidade trabalha por aquele que está prestes a cometer o ato infeliz. Mas, se as tentativas se repetem, chegará dia em que ele não poderá mais dispor da proteção do Alto.

Outro problema gravíssimo causado pelo suicídio é a destruição do planejamento reencarnatório de  grupos de espíritos. Como isso ocorre? Bem, tomemos um exemplo simples. Digamos que cinco espíritos planejam reencarnar para constituir uma família. Vamos supor que um casal encarne primeiro, e os três restantes reencarnarão dentro de vinte anos, como seus filhos. Entretanto, antes mesmo que o casal se conheça (o correto aqui seria dizer “se reencontre”) encarnados, um deles tenha cometido o suicídio. O que ocorre com o grupo? Certamente seriam bastante prejudicados, já que precisavam reencarnar juntos. Certamente precisarão rever todo o planejamento e, talvez, atrasar o processo por décadas. Esse tipo de problema ocorre com frequência no nosso planeta. Nesse contexto, podemos dizer que o grande problema do suicídio é que ele não é um ato planejado, não é esperado e é difícil de ser previsto pelos Espíritos. Termina causando efeitos muito indesejáveis para a coletividade, problemas esses difíceis de serem contornados, quiçá plenamente resolvidos.

Conclusão

Podemos perceber, pesando ambos os atos (homicídio vs. suicídio) os motivos que levam a fazer com que o segundo termine sendo causador de muito mais dificuldades para os envolvidos. O primeiro poderá sempre ser usado como ato reparador de erros do passado, como um catalisador evolutivo da vítima, ajudando-a a solver seu carma. O homicídio poderá ser para a vítima o remédio amargo a curá-la de enfermidade espiritual de longa data. Já o segundo, o suicídio, será sempre e puramente um gerador de carma, o início da doença, que levará o infrator a anos de labuta para a própria regeneração.

Entretanto, uma observação deve ser feita. Apesar de ambos os atos serem considerados crimes contra a Lei, a Bondade Divina nunca relega Seus filhos ao sofrimento eterno. Deus sempre fornecerá novas oportunidades de reparação. Ele estará sempre ao nosso lado, mesmo que nós “desistamos dEle”. O poema “Pegadas na Areia” (“Footprints in the Sand”, de Margaret Fishback Powers), constrói uma metáfora belíssima, que conta da determinação de Deus em nos acompanhar, mesmo nas situações mais difíceis. Lembremos então: nunca estaremos sós! Os erros que cometemos, um dia ficarão num passado distante, quando nos reabilitarmos definitivamente. Sejamos homicidas, suicidas ou qualquer outro transgressor, tenhamos a certeza que, mesmo enfrentando a dor e a dificuldade, voltaremos aos braços do Pai Criador, pois essa é a Sua Vontade Soberana.

[1] Usei o verbo “poder”, com o sentido de “possibilidade”, pois o simples fato de fazer o mal numa vida não condena definitivamente uma pessoa a sofrer desse mesmo mal em outra. Sabemos que o Amor “cobre a multidão dos pecados”, como ensinou Jesus. Dessa forma, podemos “quitar” nossos débitos através de contínuos atos de amor, fraternidade, compreensão, perdão etc.

[2] Como missão: ver o caso de Jesus por exemplo. Ele nada devia à Lei, mas era necessário, segundo as escrituras, que ele desencarnasse daquela forma.

domingo, 20 de maio de 2018

Prece "Ave Maria" em versão alternativa




Ave Maria, cheia de Graças, O Senhor é contigo
Bendita és na Terra e nos Céus
Bendito é eternamente o teu Filho Jesus

Santa Maria, Mãe do Cristo
Roga por nós, os degredados
Cobrindo-nos sempre com tua Luz e guiando-nos a Deus.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O Azul do Céu

O Azul do Céu

Música de Victor Holanda

C          D              G               D       C
 Quem sabe um dia a gente encontre tempo (encontre tempo)
D     G     D       C
 De olhar o céu (de olhar o céu)
D           G       D       C
E ver como é bonito (como é bonito)
D         G      D       C
O azul do céu (o azul do céu)


C          D              G               D       C
Quem sabe um dia a gente encontre tempo (encontre tempo)
D     G     D       C
De olhar o horizonte (o horizonte)
D           G       D       C
E ver como é bonito (como é bonito)
D         G      D       C
O florir dos campos (o florir dos campos)

C         D         G         D           C
Olhai os pássaros voando (não semeiam nem colhem)
C         D         G         D           C           D
Olhai os lirios dos campos (não trabalham nem tecem)

       G       C
Mas vê como é bonito ...

La Ĉiela Bluo

Aũtoro: Victor Holanda

C          D              G               D       C
Kredeble iu tago ni renkonti tempo (renkonti tempo)
 D     G     D       C
Por rigardi la ĉielon (por rigardi la ĉielon)
D           G       D       C
Kaj vidi kiel estas bela (kiel estas bela)
D         G      D       C
La ĉielo blua (la ĉielo blua)



C          D              G               D       C 
Kredeble iu tago ni renkonti tempo (renkonti tempo)
D     G     D       C
Por rigardi la horizonton (la horizonton)
D           G       D       C 
Kaj vidi kiel estas bela (kiel estas bela)
 D         G      D       C
Floroj en la kampo (floroj en la kampo)



C         D         G         D           C
Rigardu ni flugantajn birdojn (ne rikotas nek semas)
 C         D         G         D           C           D 
Rigardu ni liliojn en la kampoj (ne laboras nek teksas)

       G       C
Sed ni vidu kiel estas bela ...

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Obreiros da Fraternidade

O livro “Nas Fronteiras da Loucura”, de Manoel Philomeno de Miranda, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, nos traz várias revelações sobre a atuação de obsessores desencarnados, principalmente nos momentos das festas do carnaval, quando a bebida, as drogas e a sensualidade exagerada campeiam em nosso mundo, causando enorme desequilíbrio espiritual. Entretanto, ele descreve também a atuação firme e constante de trabalhadores do bem, que minimizam os efeitos nocivos causados pelo desequilíbrio geral, realizam resgates de espíritos sofredores e tentam direcionar encarnados e desencarnados ao equilíbrio das emoções e sentimentos.

Um trecho específico versa sobre o sacrifício desses Espíritos Abnegados, que muitas vezes adentram áreas tomadas por vibrações negativas:


“Graças às cargas mefíticas dos pensamentos vulgares que sustentam tais climas, os obreiros da  fraternidade, ajudando, sofrem as condições da área de trabalho, empestada, que asfixiam e das descargas magnéticas violentas que agitam as  vibrações con densadas.


São verdadeiros cireneus, que se sacrificam visando o bem do próximo, em demoradas tentativas de benemerência sob o contributo da renúncia pessoal e do sacrifício. Muitos deles dispõem de títulos  de enobrecimento que os promovem ao trabalho em  outros campos mais elevados e pacíficos, todavia,  preferem demorar-se onde a dor é mais aguda, não  obstante para ajudar devam sofrê-la...”


Muitos deles são Espíritos que já tem méritos para ascender a mundos mais felizes que o nosso, mas preferem permanecer em nosso ambiente, por compaixão por aqueles que ainda sofrem e encontram-se perdidos.

São um exemplo para nós, trabalhadores espíritas, que muitas vezes fugimos ao trabalho no bem por medo de enfrentar a dor, a ingratidão e incompreensão alheia, o estresse natural dessas atividades, que é tão menor que os grandes desafios enfrentados e superados por esses Espíritos de Escol.

Sigamos pois em frente, superando dificuldades sem temor. Sabendo que sofreremos também as consequências do trabalho no bem. Isso é Luz que fazemos na nossa vida.

Correio Espírita: Por que dar espaço para a aflição?

Por que dar espaço para a aflição?

Muitas serão as vezes que passaremos por dúvidas e desespero. Mas isso não é motivo para desistir. Existem ajudantes que acompanham vocês. Não temam. Continuem firmes. Não deem ouvidos aquilo que não leva ao bem. Estamos sustentando vocês. Fé sempre.

Um abraço fraterno.

Mensagem de uma irmã desencarnada.
Reunião de Estudos Mediúnicos no CEIC em 06/10/2015.




A mensagem foi claramente direcionada ao grupo, no intuito de fortalecer a confiança e a fé no apoio dado pelos Espíritos que coordenam os trabalhos. Muitas vezes sentimo-nos fracos perante as dores e dificuldades comezinhas da vida. Os benfeitores espirituais então sentem a necessidade de mostrar que estão ao nosso lado. Nesses momentos temos então a esperança, a fé e as forças renovadas para dar continuidade ao serviço no Bem Geral.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Psicometria: Animismo ou Mediunidade?

Primeiramente, a definição de médium:
“Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, capítulo XIV).
Portanto, mediunidade é a capacidade de perceber a influência dos Espíritos (pelo entendimento geral, desencarnados). Diz-se também, que é a capacidade de produzir certos fenômenos com o apoio deles (os Espíritos desencarnados).
Já o Animismo indica um fenômeno, um conhecimento ou uma capacidade da própria pessoa, que não depende do apoio de Espíritos desencarnados.
Assim, podemos dizer que a psicofonia, psicografia etc, são fenômenos mediúnicos, quando há um espírito comunicante. Entretanto, são anímicos quando o próprio "médium" é o autor da comunicação.
Fenômenos normalmente dados como mediúnicos:
  • Psicografia
  • Pisicofonia
  • Vidência
  • etc.

Fenômenos normalmente dados como Anímicos:
  • Sonambulismo
  • Dupla Vista
  • Telepatia
  • Bilocação
  • Clarividência (não confundir com a vidência mediúnica)
  • etc

Alguns fenômenos anímicos, muitas vezes são erroneamente entendidos como mediúnicos, como a clarividência, passe magnético, dupla vista, psicometria.
A psicometria é a capacidade de "ler" alguma matéria física. Psicômetros são capazes de ver cenas do passado de tal ou qual objeto (em casos raros, ver seu futuro). Nesse caso NÃO HÁ a necessidade do intercâmbio com entidades desencarnadas, portanto entendo que o fenômeno é anímico.

É importante notar que em várias obras espíritas (inclusive algumas clássicas) a psicometria é entendida como uma capacidade mediúnica. Mesmo assim, e com o respeito que devemos a esses grandes pesquisadores, como Ernesto Bozzano, e sua contribuição à ciência espírita, entendemos que a psicometria é uma habilidade anímica, que pode ter eventualmente algum apoio espiritual.

Documentário Data Limite Segundo Chico Xavier

"Há sinais de Esperança. Em um mundo de loucura, há sinais de Esperança! Há um espírito de cooperação se desenvolvendo em pequena escala, em milhares de lugares no mundo. E isso deve ser como sementes, que precisam ser regadas, multiplicadas e espalhadas. E com esse espírito de cooperação, desistindo do ego, em favor de querer servir a humanidade, fazer a diferença e ajudar a construir um planeta melhor. Continuamente, há esperança! Essa é realmente a razão pela qual acredito em milagres e acho que isso vai acontecer".

Paul Hellyer, ex-Ministro de defesa do Canadá, no documentário "Data Limite Segundo Chico Xavier"

Documentário: Data Limite Segundo Chico Xavier

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Animismo

Animismo: um dos termos mais mal compreendidos dentro do movimento espírita. Via de regra dirão que se trata de uma interferência por parte do médium nas comunicações mediúnicas. Seria algo que deve ser evitado pois terminaria atrapalhando essas mensagens e colocando ali ideias falsas, não provenientes do pensamento original do espírito comunicante.

Assim, muitos espíritas terminam vedo no animismo um fenômeno espúrio, uma mistificação que deve ser evitada sempre. E isso é um erro. Um mau entendimento do que significa animismo.

O animismo é todo fenômeno que tem origem na própria alma encarnada e não em um espírito desencarnado. Dentro das sessões mediúnicas há dois fenômenos psíquicos válidos: os anímicos (vem de ‘anima', que significa alma) e os mediúnicos. Dentro dos fenômenos anímicos, podemos citar o sonambulismo mediúnico (não confundir com o homônimo transtorno do sono). O sonambulismo estudado dentro do Espiritismo é um estado de emancipação (libertação) temporária da alma com relação ao seu corpo. Dessa forma, ela pode ver, ouvir, lembrar e entender com muito mais nitidez. É possível obter comunicações muito úteis esclarecedoras a partir do sonambulismo, que é um fenômeno anímico. O Livro dos Espíritos trata do sonambulismo na pergunta 425.

Infelizmente, o fenômeno animismo mais comum citado dentro do movimento espírita é aquele em que o médium insere seus próprios pensamentos (voluntária ou involuntariamente) nas comunicações mediúnicas. Diz-se que Joana de Angelis teve dificuldades em 'domar' o arroubos anímicos de Divaldo Franco. Fala-se também que o próprio Chico Xavier chegou a injetar muitas vezes seu próprio pensamento dentro de sua obra. Mas isso não vai significar que o animismo é um mal que deva ser combatido.

O animismo é um fenômeno psíquico que deve ser estudado e que pode nos trazer muitos benefícios. Prova disso são os chamados ‘médiuns de desdobramentos’, que em minha opinião receberam erradamente esse título, pois não são médiuns. O desdobramento é capacidade anímica. O mesmo se dá com os passistas magnéticos. É claro que esses recebem o apoio dos espíritos. Mas seus feitos se dão por conta deles próprios.

Alguns fenômenos anímicos:


Dupla Vista ou Segunda Vista: Capacidade de uma pessoa, em estado de vigília, ver fatos ocorridos no passado, a uma grande distância ou mesmo no mundo espiritual;

Desdobramento: Capacidade de se desligar temporariamente do corpo físico e deslocar-se conscientemente no plano espiritual;

Telepatia: Capacidade de comunicar-se através da mente;

Sonambulismo (não confundir com o transtorno do sono): Estado de transe onde a alma emancipa-se do corpo e é capaz de dar comunicações detalhadas que seriam impossíveis em estado de vigília;

Outros fenômenos anímicos: Telecinesia, premonição, bilocação etc..

terça-feira, 13 de maio de 2014

Espiritismo e Vegetarianismo

É comum no meio espírita os debates relacionados ao tema polêmico da alimentação carnívora. Recentemente escrevi um pequeno texto nesse blog, dando algumas opiniões minhas, baseadas na Codificação Espírita.

Hoje, em conversa com amigos, veio a tona o recorrente argumento de que ao nos alimentarmos de vegetais estamos também matando seres vivos, e assim o vegetarianismo seria tão moralmente errado quanto a alimentação carnívora convencional.

Entretanto, como estamos tratando do aspecto espiritual do tema, não podemos nos limitar apenas a detalhes puramente conceituais. É certo que as criaturas de ambos os reinos tem vida. Entretanto, precisamos ir além e nos debruçar sobre o aspecto evolucionário daquilo que chamamos de "Princípio Espiritual".

Nos primeiros capítulos de "O Livro dos Espíritos" (LE) aprendemos que princípio espiritual é uma das materias componentes primordiais da Criação, sendo o ponto de início de todos os Espíritos. De forma análoga, o princípio material é o formador de tudo quanto seja matéria/energia (ver perguntas 21-28 do LE).

Vemos também nessas perguntas citadas, que o princípio espiritual sempre evolui. Cada construção é mantida. Sempre "caminha para frente". Enquanto que o princípio material pode "montar-se e desmontar-se".

Para que possamos entender o processo, vamos citar o átomo de oxigênio. Se o juntarmos a outro átomo de oxigênio (O), formamos uma molécula de oxigênio (O2). Se somarmos outro átomo, formaremos o Ozônio (O3). Essas moléculas podem se separar, voltando ao seu estado original, unindo-se a outros átomos para formar outras moléculas em processos infinitos no tempo e espaço. Se o átomo de oxigênio fosse formado pelo princípio espiritual ao invés do material, no momento em que se unisse (formando a molécula de oxigênio) não poderia ser desfeito. Ou seja, o Espírito sempre evolui.

No capítulo XI - Os Três Reinos, Kardec lança uma sequência arrebatadora de perguntas aos Espíritos e, especialmente a partir da pergunta 592, chegamos a algumas conclusões interessantes:

1. Os animais tem uma espécie de "alma", diferente da alma humana, e que é  chamada de princípio espiritual, mas aqui, para diferenciar do elemento formador que compartilha o mesmo nome, chamaremos de alma animal;
2. A alma animal evolui (pois descende do princípio espiritual) em diversos estágios nos reinos Mineral, Vegetal e Animal. Tal evolução dura incontáveis eras;
3. A alma animal diferencia-se da alma humana por não ser ainda um ser completamente consciente de si próprio;
4. Ao chegar ao ápice do que tais reinos podem proporcionar em termos de evolução, a alma animal toma ciência de si própria, e consequentemente adquire completo livre arbítrio, tornando-se plenamente responsável pelos seus atos. Nesse momento o princípio espiritual que era chamado de alma animal ganha estatus de ser humano e pode passar a encarnar, coisa somente possível no reino hominal.
5. Todo esse processo se dá em uma evolução constante, da pedra ao homem.

Nesse mesmo capítulo, os Espíritos nos ensinam que as almas no período vegetal não sentem dor, e não tem a qualquer consciência (LE-586 e LE-587).

Já os animais possuem os primórdios da vontade, das emoções e da consciência (obviamente que aqui falamos dos animais superiores).

Assim, voltando à questão inicial desse texto. Sabendo-se que  os animais sentem dor, medo, raiva, angústia, tristeza. Que além disso são capazes de lembrar tais experiências, perguntamos: Será que o "assassinato" de um vegetal seria igualmente malfazejo como o de um animal? O bom senso nos indica que não. Na verdade são coisas completamente díspares.

Por esse raciocínio, e por outros, também, particularmente somos adeptos da tese de que a alimentação vegetariana é mais saudável, tanto material, como Espiritualmente.




domingo, 23 de março de 2014

Provas Científicas da Existência de Deus

Bom, vou começar esse artigo sendo bastante claro e sucinto: Não há atualmente quaisquer provas científicas de que Deus existe. Dada essa provocação inicial, vamos ao nosso texto.

Em primeiro lugar, precisamos entender o conceito de prova - ou mais rigorosamente, evidência - para a ciência:
"Uma evidência científica é o conjunto de elementos utilizados para suportar a confirmação ou a negação de uma determinada teoria ou hipótese científica. Para que haja uma evidência científica é necessário que exista uma pesquisa realizada dentro de preceitos científicos - e essa pesquisa deve ser passível de repetição por outros cientistas em locais diferentes daquele onde foi realizada originalmente" [1].

Assim uma afirmação, ou teoria, pode ser dada como comprovada quando pode ser transformada em experimento, que por sua vez possa ser observado, analisado e repetido pela comunidade científica.

Ora, Deus não pode ser observado, medido, analisado. Não pode ser submetido a um experimento controlado. Não temos como questioná-lo sobre sua existência. Portanto, concluímos que a ciência humana, até a data de publicação desse texto, não tem qualquer condição de provar a Sua existência e Sua atuação no Universo.

A boa notícia é que, da mesma forma que a ciência não tem meios de comprovar a existência de Deus, ela é incapaz de provar a sua não existência. Aliás, seria muito mais difícil provar que Deus não existe. Por que isso ocorre?

Para responder isso, temos de entender o conceito de indício. Um indício, é um vestígio, um sinal, uma indicação. Por exemplo, quando nossa campainha toca, temos um indício de que nossas visitas chegaram. Não temos ainda a certeza, apenas uma indicação desse evento.

Bem, a ciência não trabalha somente com comprovações. Se assim o fosse, ela estaria completamente paralisada e incapaz de evoluir. Há inúmeras teorias científicas ainda não comprovadas, mas bem aceitas pela ciência. Vejamos por exemplo o Big Bang - a grande explosão que deu origem ao nosso Universo a alguns bilhões de anos. Não há qualquer comprovação de que tenha realmente ocorrido. Entretanto, há inúmeros indícios disso. Indícios esses suficientes para que possamos, com certo grau de segurança, aceitar a teoria, estudá-la e desenvolvê-la. Outros casos similares e bastante clássicos são o dos buracos negros e o da matéria escura. Isso não impede que tais teorias sejam questionadas. Há vários pesquisadores que criticam o Big Bang [2][3], e recentemente o próprio Stephen Hawking afirmou que os buracos negros não existem da forma como imaginamos [4].

Voltemos agora à questão da existência de Deus. Na questão número 4 de O Livro dos Espíritos, lemos:

4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?
“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há  efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é  obra do homem e a vossa razão responderá.”
Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras  da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da  existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e  avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.
(uma interessante explanação sobre o método de Kardec pode ser encontrada aqui)

É lançado nessa questão um argumento bastante interessante que aponta para a existência de um Criador. Seria muito difícil aceitar que algo tenha surgido do nada dentro do nosso Universo. Ainda mais algo tão complexo e perfeito. Aqui, por indução, temos um indício de que Deus exista. Mas o contrário, não:  não temos qualquer indicação de que Ele não exista (aqui respondemos a pergunta feita no sexto parágrafo).

Para basear um pouco mais nossas afirmações: recentemente, um matemático afirmou que nosso universo parece ser parte de uma simulação (ver texto anterior). Ora, toda simulação exige um autor (ou autores) e mantenedores que a gerenciem.

É importante que os Espíritas se esclareçam sobre a metodologia científica. Tenho assistido várias palestras onde o expositor afirma categoricamente que Deus e os Espíritos são uma realidade cientificamente comprovada. Por mais que aprovemos o entusiasmo e boa vontade dessas pessoas, é imprescindível evitar “forçar a barra” sob pena de cairmos no ridículo.

Para fechar esse texto: Como espírita (e um tanto cético) que sou, considero que temos indicações mais que suficientes para aceitarmos a existência de Deus e dos Espíritos, conforme se acha exposto nas Obras Fundamentais de Allan Kardec.

[1] Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Evid%C3%Aancia, acessado em 23/03/2014.
[2] How Stuff Works: http://science.howstuffworks.com/dictionary/astronomy-terms/big-bang-theory7.htm, acessado em 23/03/2014.
[3] Colorado University: http://www.colorado.edu/philosophy/vstenger/Cosmo/bang.txt, acessado em 23/03/2014
[4]  Nature: http://www.nature.com/news/stephen-hawking-there-are-no-black-holes-1.14583, acessado em 23/03/2014

segunda-feira, 10 de março de 2014

A Alimentação Carnívora, a Pecuária e Nossas Reservas de Água

Nesses tempos de aumento populacional em níveis exponenciais, uma das crescentes preocupações dos governantes e estudiosos é a escassez de água potável em um futuro próximo, algo que pode levar a um sombrio cenário de guerras por esse recurso natural que atualmente é tão pouco valorizado por todos nós. Muito se tem discutido com relação às medidas que podemos tomar para prevenir a falta de água, sendo que a grande maioria delas baseia-se na economia em seu uso.

Por esse motivo, alguns pesquisadores passaram a estudar meios de realizar essa economia. Um artigo recente do New York Times[1], que trata da redução das reservas de água potável nos EUA, cita um estudo de 2012 [2], feito pela Universidade da Holanda, no periódico Ecosystems, pelos pesquisadores Mesfin M. Mekonnen and Arjen Y. Hoekstra, compara o uso da água nos diversos tipos de produção de alimentos. Esse estudo revela que para a produção de uma cabeça de brócolis, são necessários cerca de 20 litros de água e um simples tomate requer 12,5 litros. Se uma simples unidade de verdura ou legume demanda tamanha quantidade de água em sua produção, o que dizer das enormes plantações das regiões rurais? O estudo mostra que uma tonelada de vegetais consome 321.760 litros de água. Raízes como batatas e macaxeira, consomem 386.869 litros.

As exigências de água são realmente gritantes, bem como a necessidade de economia desse recurso. Mas um fato permanece incólume: por questões óbvias não temos como reduzir a produção de alimentos.

E se os números são preocupantes quando se trata da agricultura, eles tornam-se pálidos se comparados com a pecuária. O mesmo estudo verificou que para a produção de uma tonelada de carne bovina, são gastos nada menos que 15 milhões de litros de água. Além da água necessária para o gado, há um enorme gasto com água usada nas plantas que alimentam o gado, como a alfafa.

O estudo chega a conclusão que uma redução do consumo de carne em 50% por habitante, trocando-a por legumes, verduras e raízes, reduziria em 30% a água consumida indiretamente por ele. Tornar-se completamente vegetariano, reduziria esse consumo em 60%.

Muitos espíritas defendem a alimentação carnívora dizendo que não há um bom argumento contra ela, ao mesmo tempo em que levantam a questão 723 de O Livro dos Espíritos:


723. A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza?

"Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização".


Uma leitura desatenta do Livro dos Espíritos nos levaria a crer imediatamente que a alimentação carnívora é um direito e uma necessidade dos humanos. Entretanto, as coisas não são tão simples. Primeiramente: sabemos que o homem pode viver bem sendo vegetariano. Há inúmeros casos, desde a antiguidade. Além disso, na questão 724 lemos:


724. Será meritório abster-se o homem da alimentação animal, ou de outra qualquer, por expiação?

"Sim, se praticar essa privação em benefício dos outros. Aos olhos de Deus, porém, só há mortificação, havendo privação séria e útil. Por isso é que qualificamos de hipócritas os que apenas aparentemente se privam de alguma coisa".


Vemos que a abstinência da carne é meritória caso o fim seja o bem ao próximo. Se considerarmos os animais como seres a quem devemos também fazer o bem, dando a eles um mínimo de respeito, temos claramente uma resposta muito positiva com relação ao vegetarianismo. E em frente ao mostrado no estudo citado acima, vemos que a recusa, ou ao menos a moderação na alimentação carnívora representaria grande bem, não só aos animais, mas à sociedade como um todo e às gerações futuras.

Espíritos como André Luiz e Emmanuel são claramente favoráveis ao vegetarianismo, pois evita grande carga de sofrimentos aos reinos inferiores. Sabemos que os matadouros, existentes em todo o planeta, dão pouca ou nenhuma importância ao conforto para os animais no momento da morte (se é que isso seria possível). As matanças são feitas muitas vezes de forma violenta, brutal, inumana, imprimindo grande trauma nos princípios espirituais que estagiam nesses reinos. Há vídeos que mostram algumas dessas cenas, e o pouco que se vê é mais que suficiente para chocar.

Assim, é de nossa opinião a vários anos que a mudança bem estudada para alimentação vegetariana ou pelo menos a redução da alimentação carnívora nos proporciona grandes benefícios tanto materiais como espirituais.

[1] http://www.nytimes.com/2014/03/08/opinion/meat-makes-the-planet-thirsty.html?_r=0
[2] http://www.waterfootprint.org/Reports/Mekonnen-Hoekstra-2012-WaterFootprintFarmAnimalProducts.pdf

sábado, 8 de março de 2014

Arte Espírita - Acreditar


 Estamos inaugurando a Sessão Arte Espírita para divulgação de músicas, poesias, pinturas, cinema, teatro etc. Iniciamos com uma composição de Hercules Bruno, palestrante espírita da cidade do Natal/RN. Essa música é muito conhecida através do grupo Ame. Abaixo, um link para vídeo no Youtube e a música cifrada para violão.



Acreditar
Hércules Bruno
Tom: F


F                      Dm
Quando as vantagens do mundo
              Bb
Os teus olhos claros
                                  C7
não puderem mais ver

F                      Dm
Quando um parente, um amigo
              Bb
Pela porta da morte
                                C7
se afastar de você

F                     Dm
Quando te sentires sozinho
                  Bb
E o abandono que fere
                                C7
se apossar de você

F                 Dm
  Alma querida confia:
              Bb
Jesus está contigo,
                                C7
te fazendo entender

(refrão)
                F                  Dm
E acreditar numa vida mais bela
                    Bb
Onde o dom que mais vale
                      C7
É o dom de viver
                F                 Dm
E acreditar que Jesus é conosco
                    Bb
Que existe um mundo novo
                                                  C7
Que o calvário é um renascer...

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Somos parte de uma Simulação?

A teoria não é nova: Todo o nosso universo seria uma simulação feita por cientistas, pesquisadores e programadores extremamente habilidosos, que naturalmente estariam vivendo fora de nosso mundo observável. Agora mais um pesquisador coloca seus centavos nessa idéia. O Matemático Edward Frankel explica num artigo no New York Times como a matemática parece permear todo o nosso Universo (artigo em inglês) fazendo-o parecer-se como uma simulação.

É claro, que muitos outros pesquisadores estão achando que isso cheira a pura ficção científica. Mas o  fato é que cada vez mais cientistas estão se debruçando sobre essa idéia. Inclusive, há um artigo que levanta um possível método para testar a possibilidade da teoria ser verdadeira: "Constraints of the Universe as a Numerical Simulation" (também em inglês).

Independente de ser verdadeira ou falsa, essa teoria levanta um ponto interessante: a ciência está começando a prever a possibilidade de existir um criador (ou criadores). Ora, se nosso universo for uma simulação (ou algo parecido com isso), é necessário haver um ser (ou seres) consciente(s) e superior(es) a nós. E tal ser teria de ser extremamente inteligente para criar e manter essa simulação.

Isso "prova" que Deus existe? Absolutamente não. Mas é algo extremamente positivo que a Ciência comece a se cogitar sua existência, da mesma forma que já cogita a existência da vida espiritual através dos estudos de Dr. Ian Stevenson e seus sucessores, e das atuais pesquisas sobre as Experiências de Quase Morte (Near Death Experiences).

Pouco a pouco a Ciência, Filosofia e Religião parecem estar se aproximando, conforme Kardec teorizava que ocorreria. À medida que tais ramos do conhecimento humano evoluem e se desapegam de suas intransigências, orgulhos, vaidades, fanatismos e dogmas, elas naturalmente passam a conviver mais cordialmente.

Bom, mas respondendo à pergunta no título: não, não somos uma simulação. Fazemos parte de um Universo bem real e palpável. Somos e fazemos a realidade. Entretanto, o modelo puramente materialista não suporta (no sentido de compreender) todos os detalhes desse Universo. Para isso é necessário adicionar o elemento espiritual a esse modelo. E isso tem evoluído pouco a pouco dentro da ciência terrena.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O Passe Espírita

Introdução


O passe é a manipulação das energias sutis exteriorizadas pelos encarnados e desencarnados, bem como dos centros de força (centros vitais ou chakras) no sentido de equilibrá-los adequadamente.


É uma técnica presente em várias correntes de pensamento, sejam elas religiosas ou não. Caracteriza-se normalmente pela passagem das mãos em frente ou sobre a pessoa que está sendo tratada (receptor ou paciente). É comum também que haja apenas a imposição das mãos estaticamente sobre a cabeça do paciente.


O passe espírita tem bases profundas nos estudos do médico alemão Franz Anton Mesmer. Allan Kardec, quando questionado sobre as Mesas Girantes, teria dito inicialmente que tais movimentos poderiam ser facilmente explicado através do magnetismo. O Espiritismo entretanto, leva em consideração a atuação constante do lado espiritual nos fenômenos magnéticos ocorridos nas sessões de passes.


Grosso modo, o passe espírita pode ser categorizado como:

  • Passe Espiritual: Preponderância de atuação de energias espirituais;
  • Passe Anímico ou Magnético: Preponderância de atuação de energias do passista (encarnado);
  • Passe Misto: Passe relativamente balanceado entre os dois extremos;

Deve-se notar que, ao menos nos centros espíritas, o passe sempre tem algo dos dois mundos, o material e o espiritual.


Concentração, Equilíbrio, Vontade (e que seja das boas)


Passe exige concentração, equilíbrio de pensamentos e, principalmente, vontade (principalmente boa vontade, já que a má vontade não levará a nada). Esses requisitos são necessários tanto ao passista quanto ao paciente. Um passista sem vontade (ou com má vontade) não tem efetividade. Um paciente sem vontade de receber o passe torna-se refratário, e a manipulação não ocorre devidamente.


Como o pensamento é a base para o passe (e há a necessidade do equilíbrio mental), é de suma importância que o passe deve ser dado ao final das reuniões públicas, quando foi realizada toda uma preparação através das preces e da palestra pública. Muitas pessoas vão ao centro e ficam conversando amenidades no momento da palestra, para entrarem apenas ao final, no momento do passe. Isso é um erro muito comum e resulta em um passe “mau recebido”, pois o paciente está muitas vezes refratário, incapaz de receber os fluidos e energias superiores.
Um alerta aos dirigentes de sessões de passes. Evitem sempre frases como “Vamos esquecer nossos problemas”. Isso resulta na imediata lembrança de todos os problemas que os passistas e pacientes estejam enfrentando. Melhor dizer algo como: “Sentem-se confortavelmente. Relaxem nas cadeiras. Fechem os olhos. Façam uma prece”. Frases positivas e ditas calmamente tendem a auxiliar a concentração e tranquilidade gerais.



Cuidados básicos

Todo passista necessita cuidar bem de seu corpo. Da mesma forma que um médico deve mater-se limpo para atender os pacientes, o passista deve cuidar de sua assepsia mental e física. Dessa forma (e principalmente nos dias de passes), ele deve se esforçar em manter pensamentos e sentimentos equilibrados. De forma similar, deve abster-se de excessos na alimentação, pois isso, ao prejudicar o corpo físico, prejudica também o passe. Drogas como o cigarro e o álcool devem ser abolidas. Desnecessário dizer que as drogas ilícitas também o devem ser. Ou seja: excluir qualquer elemento que possa alterar negativamente o metabolismo normal do organismo. Isso, naturalmente, não se aplica a drogas passadas por médicos, pois nesse caso, trata-se de uma necessidade do corpo do passista. Excluí-las sem o consentimento do médico consistiria em grave irresponsabilidade.


O passista deve, nos dias de passe, apresentar-se adequadamente. Vestido adequadamente, em respeito àqueles que serão atendidos. Esses por sua vez, devem seguir a mesma regra. Decotes, roupas extravagantes, perfumes em excesso ou maus odores dispersam a concentração tanto do passista como do paciente e terminam por prejudicar a operação.


Outro elemento prejudicial (também por sua capacidade de desconcentrar) são os ruídos, principalmente aqueles feitos pelo próprio passista. Sendo assim, deve-se evitar pulseiras e anéis que terminam causando estalidos no processo de movimentação das mãos e braços. Outros ruídos como arrotos, sopros, sussuros, respiração forte etc devem ser evitados da mesma forma.


O passista deverá evitar ao máximo tocar no paciente. O passe é manipulação de energias e não necessita de toque físico. Esse, pelo contrário, termina por atrapalhar, pois também quebram a concentração. Um efeito mais nefasto é a possibilidade de o paciente achar que está sendo molestado, principalmente no caso das mulheres. Muitos passistas tem a mania de tentar corrigir a postura e posição das mãos dos pacientes, por achar que se os mesmos não estiverem com as mãos postas para cima em posição de recepção, eles não recebem passe. Isso é lenda.


O Núcleo de Passistas


Toda casa espírita deve ter um núcleo (grupo) de passistas que consigam perseverar na tarefa. Eles devem assisir as palestras antes do passe para se prepararem mentalmente. Devem estar unidos nesse ideal. Novos membros devem entrar pouco a pouco e somente após terem sido aprovados pelo coordenador do departamento de assuntos mediúnicos. Deverá primeiro apenas observar, mantendo a ligação com o mundo maior através das orações. Em seguida, deverá iniciar os passes, sob a supervisão do coordenador, seguindo os conselhos e determinações deste. A casa espírita poderá realizar cursos de passes, ministrados pelos passistas mais experientes. Nesses casos deverão participar tanto os aspirantes à tarefa como os passistas antigos. Assim o Centro poderá suprir às vagas que surjam em suas salas de passe, como até “exportar” passistas para outras casas menores.